2016 Muro sm“Quem pensa somente em levantar muros e não pontes, não é cristão”.
Como o Papa Francisco pode ver, por aqui também estamos na onda de construir muros e não pontes. Continuamos alimentando, até mesmo visualmente e não apenas ideologicamente, o “eu” contra “eles”. Continuamos tentando dividir um país que visivelmente não está dividido ao meio, certamente não, até porque, aquela conversinha boba, tola, desgastada dos que defendem a democracia contra os golpistas não cola mais. É patético, como foi patético ontem assistir as nossas “lideranças” acenando cartazetes de “Impeachment Já” e “Não vai ter Golpe” para as câmeras.
Certamente os 2,5 milhões de desempregados, que no ano passado eram 1,5 milhões “apenas”, estão desiquilibrando esta divisão em um governo claramente sem condições políticas, de credibilidade, de sintonia, de continuar representando uma nação.
Quem acompanhou ontem a Comissão de Frente do desfile de nossas lideranças e suas argumentações, certamente irá chamar, em um primeiro momento, de Muro da Vergonha.
O que deveria ser uma reunião de representantes, dos desempregados e dos ainda empregados e aposentados, analisando tecnicamente as razões de se aceitar ou não o processo de impedimento da presidente de continuar o desserviço à nação, parecia mais um circo. As intervenções eram intercaladas entre os a favor e contra, com posicionamentos políticos e não baseados em fatos técnicos, embasados juridicamente.
Se em uma fala se dizia que não havia o menor indício de crime de responsabilidade praticado pelo governo, na fala imediatamente seguinte se dizia que havia grave crime de responsabilidade. Na fala seguinte se dizia que outros presidentes usaram desse mesmo expediente das chamadas “pedaladas fiscais”. O próximo deputado a falar dava números que mostravam que se nos governos FHC e Lula a pedalada era curta e não ultrapassava um bilhão de reais, no governo Dilma as pedaladas atingiram 50 bilhões de reais em pleno ano de campanha para reeleição, e se estenderam por 14 meses. E já seria considerado crime nos governos FHC e Lula.
E dá-lhe Golpe de um lado, dá-lhe Não Golpe do outro. Na maior cara de pau, respondendo acusações de um lado e de outro sem continuidade, como se não fosse resposta para o mesmo assunto, o circo continuava apresentando suas atrações aos berros e teatralmente, como torcedores de futebol. Aprovando um relatório, que deveria estar baseado em parecer jurídico, reprovando com parecer contrário, de uma mesma lei. Coisa de loucos, ou de atores sem escrúpulos.
Nessa hora, o muro da Vergonha vira muro da Lamentação.
A única confluência entre esses muros é que foram erguidos por bandidos. Presidiários que montaram os tapumes metálicos na Esplanada dos Ministérios, futuros presidiários que ergueram na Câmara, no Congresso, no Planalto, as muralhas da falta de decoro, ética, vergonha.
É lamentável para nós, que nos recusamos a ficar em cima do muro. É lamentável para um país que está paralisado, bloqueado, sem governo, sem liderança, sem plano de ação. É lamentável para todos que precisam trabalhar para gerar seu sustento ficar assistindo a esses senhores, que em um primeiro momento, lutam, se degladiam, pelos seus interesses camuflados de nossos.
Como camaleões, eles mudam de lado conforme a paisagem, os seus interesses.
Saem aos berros tentando impedir um presidente, eleito pelo voto popular e democrático, a continuar exercendo o direito de governar. Não, não estou falando apenas da Dilma, falo do governo Collor. Ou do Itamar, do FHC, que este mesmo grupo que hoje é contra apoiou o impedimento. Por causa de uma Elba no que caiu, por nenhuma razão jurídica nos outros dois.
Se existe crime, que se puna. Sem mimimi, bla bla bla. Aliás, seria mais decente pedir para sair, por perceber que não possui a menor condição política de continuar.
Que no domingo, os que torcem para o time da esquerda, fiquem no lado esquerdo do muro. Os que torcem para o time da direita, se posicionem do lado direito do muro.
Os que torcem para o país, que orem e lamentem por essa vergonha.

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