2016 AutumnartTivemos dias quentes na última semana, os embates ferveram alimentados pela estratégica manobra de fomentar os conflitos de classes, o “eu contra quem não pensa como eu”. E como marionetes bem treinados, dançamos conforme a música tocada por eles, externando nossos extremos, embaçando as razões, polarizando as posições, praticando a falta de tolerância que os fios que nos comandam desejam.
E eis que após esse tempo quente o equinócio de outono chega para a gente experimentar um novo ciclo.
Feliz ano novo astrológico. Que traz mudanças, novas energias, expurgo das já contaminadas, hora de renovar, semear novos projetos, novos desafios.
Hora da nossa árvore da vida deixar cair as folhas que já cumpriram suas missões. Dar espaço para as que devem chegar fortalecidas pelo natural iniciar. Hora de refletir, repensar, checar nossas convicções, se abrir para visões divergentes
O outono vem nos preparar para o inverno, que logo chega, trazendo o seu ar melancólico que desnuda a paisagem, que se enche de névoa.
Névoa no horizonte, névoa nos olhos.
Nesta última semana, nunca se viu tantos defensores da democracia, a tal que prega a coexistência das opiniões contrárias, que democraticamente são toleradas em benefício da convivência em grupo. E quando a névoa nos olhos impede que o contrário enxergue da mesma forma que a gente, a tendência é rotulá-lo como tolo. E quando os tolos se reúnem em maioria, do outro lado, acabam por comandar a vontade que não é a sua. Portanto, democracia é ter que engolir a maioria de tolos que é contrário ao que você pensa.
Usar da força para impor o seu ponto de vista é tão deplorável quanto tentar convencer um tolo de que ele faz parte do grupo de tolos. Até porque, isso depende unicamente de que lado se está, aos seus olhos ou aos olhos do outro.
Não deve ser por mero acaso que entramos no outono. É preciso esfriar a temperatura externa. É preciso mudar a energia que se movimenta. É preciso aguardar o tempo de maturação.
É preciso respeitar os ciclos.
É preciso respeitar a vontade da maioria, seja ela feita de tolos ou não.
Mais é preciso também respeitar a memória, e assim, respeitar os critérios já usados para avaliar os fatos. Não existe nada mais irritante do que dois pesos e duas medidas. E, se necessário for, confrontar o que foi com o que está sendo dito.
Que o outono traga bons ventos e as mudanças que buscamos, as verdades esquecidas e as não sabidas.
Que as pessoas não pequem pela intolerância, nem pela omissão.
Que as folhas caiam e as raízes se fortaleçam.
E que a vontade de dar um tiro no meio da testa daquele amigo insuportável, que participou da manifestação do domingo e que não para de postar frases e gravações contra o PT, Dilma e Lula, ou daquele que apoiou na sexta o governo e que não para de falar “Não vai ter golpe!!”, seja trocado por uma escolha: ser feliz ao invés de ter razão.
Bem vindo outono.

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