Campi 2016 CarnavalKiko acordou meio grogue, cabeça doendo, resultado ainda da noite anterior, muita bebida, muita. Nem reconhecia onde estava acordando. Tanto que foi com esforço, abrindo e fechando os olhos algumas vezes, que procurou identificar o quarto em que estava. Foi quando percebeu que tinha alguém junto com ele na cama.
Quando finalmente conseguiu focar quem era, não conseguiu segurar um grito de espanto.
– Meu Deus!!!!!
Para você entender a razão correta do espanto, melhor voltarmos algumas horas no tempo.
Kiko finalmente, após uma maratona de decolagens e aterrisagens daquela passagem mais barata comprada pela web, chegava ao seu lugar de destino: Recife. Sua amiga dos tempos de faculdade, Vera, o esperava com uma placa escrito “Kiko” na saída do desembarque. Muitos risos, abraços e horas para colocar o papo em dia.
– Até que enfim aceitou meu convite! Borimbora pro carnaval mais arretado do Brasil!!
– Calma aí, tiozinho pegou uma maratona de escalas, não vai ter uma descansadinha?
– Tu abestado, homem? Hoje já tem birinaites e bloco na rua, pode escolher: “Hoje a Mangueira entra”, “Mordida da xota”. Domingo tem “Bloco ovos fritos” e “Tô cumendo nada”.
– Meu Deus!!!!
Vera estava empolgada com a presença do amigo de tantos anos, Kiko já sentia a Mangueira entrar.
Os festejos começaram na Mordida. A lenda diz que um dos fundadores foi mordido por uma cachorra chamada xota, é a versão mais amena. E os birinaites começaram ainda de dia, seguindo a xota. Muita gente, muita alegria, muita cantoria, e o Kiko se soltando das amarras paulistanas em pleno Catamaran.
Noite chegando e a festa rolando, deixaram Olinda e agora seguindo outro bloco no Marco Zero, muitas lapadas de Pitu depois.
Kiko já estava soltinho, Vera ao lado, cuidando do amigo que já tinha levado vários tocos das boyzinhas pelo trajeto, eram muitos “não” com um ou outro “sim”. Kiko estava virado na Pitu, um bebo cego, como eles dizem por lá. Tanto que quando uma se achegou, Vera pôs pra andar, dizendo: – Essa é rede-de-arrasto, pega não. O amigo apenas sorriu balançando a cabeça, que apenas olhava, não via mais nada.
A dupla e mais um grupo de amigos voltaram a ladeirar nas Olindas, estava perto de seguir o Homem da Meia Noite, grande acontecimento de entrada na madrugada e início do susto da manhã.
A ruas ferviam, você não andava mais, era levado. Foi quando Kiko deu de cara com ela. Uma deusa, grande, loura, seios volumosos, até Vera, apesar de também já bem calibrada, se assustou com o porte. Era o próprio Verão chegando.
É verdade que o Kiko já estava chamando urubu de meu louro, ou loura, louraça, por isso, a atenção para os detalhes tinha ficado prejudicada. Mas a sintonia foi imediata, seus olhos se cruzaram e grudaram, no mais puro e alto silêncio. Ela sorriu e ele desabou. Sem tirar os olhos dos seus olhos, ele a pegou pelos ombros e murmurou:
– Vou beijar-te agora, não me leve a mal…
E suas bocas se encontraram num furor quente e úmido. Vera assistiu a tudo e resolveu que era hora de deixar o amigo por sua própria conta e risco.
Kiko acordou meio grogue, cabeça doendo, resultado ainda da noite anterior, muita bebida, muita. Nem reconhecia onde estava acordando. Tanto que foi com esforço, abrindo e fechando os olhos algumas vezes, que procurou identificar o quarto em que estava. Foi quando percebeu que tinha alguém junto com ele na cama.
Quando finalmente conseguiu focar quem era, não conseguiu segurar um grito de espanto.
“Ô ô, ô ô ô, a Mangueira chegou ô ô!!!”

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