Campi BlackE mais um se vai.
Seria uma debanda, um toque de recolher para os nossos ídolos de outros planetas? Nossos filhos não podem cantar como Belchior que ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais. Muita coisa mudou, cada vez mais rápido, mas os verdadeiros ídolos, as top referências ainda permanecem, e estão puxando o carro. Marilia, Odete, Manga, Talma, Abujanra, muitos outros e agora David.
Black Star, como luto, nos deixando no escuro, com aquele sentimento de falta, que nos obriga a buscar o cd, o vídeo, o livro e lembrar do que perdemos, que fica para sempre.
Esta é a vantagem dos que conseguiram beber do cálice e se tornaram imortais. São poucos os que conseguem o manto da vida eterna, o mito da nossa mente.
Um legado que torna a nossa passagem útil e não apenas fugaz, é o que todos deveríamos buscar.
Claro, são poucos, únicos, os que carimbam a existência compondo “As The World Falls Down”, ou “Águas de março”, “The Long And Winding Road”, esses são os especiais, convocados de outros planetas, e que uma hora precisam voltar para casa.
Para nós, apenas mortais, pode ser algo menor, simples, como aquele convidado pelo amigo a passar o feriado em sua casa de praia, que leva a cerveja que vai beber. Não vai se tornar imortal por isso, mas pelo menos deu alguma contribuição.
Marcar nossa existência é um desafio diário, que a virada do ano renova, no mínimo, a nossa intenção de tentar conseguir mesmo que simbolicamente. Daí vem aquela tal sabedoria popular de que para nos sentirmos completos teríamos que ter um filho, plantarmos uma árvore e escrevermos um livro. Muitos completam a tríade e continuam absolutamente lineares, nossa gincana não se resume apenas ao cumprimento das tarefas, mas em como as cumprimos. Veja os que não plantaram nem árvore, livro ou filho e ganharam uma cadeira no Olimpo de cada um de nós.
Os que estão agora com mais de 50 anos viveram uma época onde esses ícones estavam começando a se mostrar, e quando havia a perda de algum extraterrestre daqueles tempos, a fartura era tanta que bastava o vinil ou o livro presente na estante, havia reposição.
Hoje vivemos tempos bicudos, nossas referências estão se mandando e parece que não estão se repondo com a mesma qualidade e rapidez. Parece a Cantareira, estamos chegando no volume morto, a estiagem vai se prolongar e, pior, os Maias estavam errados.
O David não irá fazer falta no seu dia a dia, como não fez Lennon, como não fizeram Tom, Elvis, Marilyn e tantos outros que preencheram de emoção nossa alma, nosso coração. Porque com tanto incêndio para apagar, a cada minuto, essa falta só vai dar sinal de vida quando matamos o próximo leão e paramos para respirar, relaxar, viver. É lá, no fundo da nossa caixa de vida, que esses extraterrestres se reúnem, e nos alimentam, revigoram as energias para continuarmos esta viagem, até a hora de voltar.
Space Oddity.

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