Campi Kim JongO dia nem bem havia amanhecido e Kim Ta-fu já estava se apresentando em seu novo emprego no Ministério do Entretenimento de um pequeno país oriental, a Corega do Norte. O país era conhecido pela dentadura, já que os bebês nasciam sem dentes e por algum motivo desconhecido, jamais eles cresciam, o que fazia com que todos usassem dentadura logo cedo.
Kim Ta-fu entrou no gabinete do assessor do ministério apressada, nervosa, e foi logo se desculpando com seu novo chefe.
– Bom dia, sr. Kim Ah-tola, atrasei, mas cheguei.
– Nada bom, nada bom, Kim Ta-fu. Hoje nivelsário do nosso honolável comandante, Kim Jong-dois e a senhola chegando atlasada. Nada bom!!! Por muito menos, a tia dele, Kim Ja-ela foi eliminada. Assim como o tio, a plima, a banda do Colal, entle outlos tantos. Nada bom!
– Desculpe, Kim Ah-tola, não vai acontecer mais, prometo, prometo!!!
– Ok, ok, quelo só vê!
Kim Ah-tola abriu uma pasta e puxou a lista de checagem do evento que estava sendo programado há meses no Pyongyang, com transmissão direta pela TV do Partido dos Trabalhadores da Corega do Norte. Foi decretado feriado nacional neste 8 de janeiro de 2016, todas as atenções estavam voltadas para as festividades do natalício do senhor supremo do país e nada, nada poderia sair errado. Um erro e o responsável pagaria com a própria vida o deslize.
O ponto alto seria o fecho com a apresentação do Myquei Mouse, Mini e Ursinho Puuh. É, assim mesmo, Myquei, porque eles não têm autorização da Disney, e assim não correm riscos de direitos autorais. Kim Jong-dois adora o Myquei!!
Kim Ah-tola repassou item por item cada detalhe da produção.
– Quantos anos ele está comemorando mesmo? Perguntou Kim Ta-fu.
Tlinta e tlês, tlinta e tlês, já falei. O mais impoltante é cooldena a entlada do Myquei tlazendo no final a bomba. Vai sê um estoulo!!!! O mundo nunca viu nada igual. Ele adola, adola a bomba. E adola, adola o Myquei. Ideia minha, os dois juntos no final!!
– Posso perguntar mais uma última coisa, sr. Kim Ah-tola?
Agola não, agola não, pelgunta lá no posto Ipilanga.
– Onde???
– No posto I p i l a n g a!!!
Kim Ah-tola fechou a pasta e acenou com a mão para Kim Ta-fu puxar o carro.
A festa transcorria perfeita, desde o discurso de várias autoridades, a apresentação da banda Moranbong, criada pelo aniversariante e o final com os personagens no palco. Kim Jong-dois chegou a derramar discretas lágrimas ao ver o Myquei cantar em sua homenagem. Agora só faltava o gran finale.
Como previsto, Mini se posicionou no centro do palco, as cortinas vermelhas fechadas. A banda Moranbong iniciou os primeiros acordes do “Parabéns a você” enquanto as cortinas lentamente eram abertas.
Kim Jong-dois se encontrava ao lado da Mini, com o seu penteado impecável, criação do cabelereiro pessoal, executado meses atrás por ter dividido os fios de forma assimétrica no último corte.
As cortinas finalmente abertas revelaram o Myquei e a bomba. Que bomba!!!
Enorme, tomando todo o palco, a bomba feita de Hidrogel de chocolate reluzente parecia prestes a explodir de tão volumosa. E explodiu quando Myquei tentou fixar a vela acesa que estava querendo cair.
A população esfomeada, que acompanhava pela TV, sucumbiu num colapso coletivo ao ver tal iguaria se perder. Kim Jong-dois se chocou, com o vácuo, contra o balcão nobre onde estava sentado pouco antes. Seu cabelo se manteve impecável.
Kim Ta-fu, como o próprio nome preconizava, foi executada pela guarda militar no instante seguinte ao estouro, enquanto Kim Ah-tola gritou:
PUTA QUE PALIU! Foram suas últimas palavras.

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