Campi Darth VaderE chegou ao fim o que não tem fim.
E com o novo início, alimentamos a esperança que a segunda-feira da nova semana será diferente da segunda-feira do ano que se foi.
É curiosa essa lógica humana que procura combater a própria lógica que fatalmente nos faria desacreditar e sucumbir.
Se tivéssemos presente apenas aquela lógica dos fatos, não haveria porque viver visto que estamos fadados a morrer. De diferente, só o prazo da sentença de morte de cada um. Se este é o fim que não queremos que chegue, melhor seria nem começar a andar?
A lógica dos fatos mostra que é possível você passar uma vida toda trabalhando duro, focado em conseguir recursos para se manter vivo, e a sua família, e ter alguém, que sentou ao lado da sua carteira na escola, que herdou uma fortuna e nunca precisou se preocupar com o presente ou futuro. Pura lógica.
Quer outra? A lógica de que fazer o bem não significa receber o bem. Mesmo assim, continuamos tentando e, na maioria das vezes, nos frustrando e lamentando quando ela se mostra real.
E a gente responde, de forma mecânica: É lógico!
Que programação é esta implantada no nosso HD que identifica a lógica da vida e que permite que a combatamos sem a menor lógica?
Fracionamos a contagem de tempo em fatias capazes de revitalizar ciclos e, como não temos ciência de quando o nosso próprio ciclo se finda, mantemos a esperança viva de que o amanhã pode ser diferente, mesmo sabendo que vai ter fim. Mas tem fim?
É admirável a precisão e complexidade deste mecanismo que se auto sustenta, em nosso interior, sem depender da nossa vontade. Esteja você feliz ou triste, vitorioso ou derrotado, sábio ou ignorante, esse moto contínuo permanece fiel à sua função, sem dar bola para a sua lógica, apenas focado na dele, que é manter a gente vivo.
Faça um teste, tente prender a respiração e veja se consegue parar de respirar.
Eu espero.
Viu? É lógico!
E para estarmos realmente vivos e não apenas respirando, é preciso exatamente isso, anestesiar essa nossa insistente lógica para criarmos o alimento que nos ajuda a mantermos a vida pulsante, desafiadora, gratificante. Mesmo com oscilações, mesmo com perdas, tropeços, leves, graves. Mesmo que por breves ou longos momentos percamos a confiança, a fé. Tudo passa, mesmo com dor. Ou alegria.
Uma hora, o ano acaba e um novo começa. E com ele, a expectativa de que as dificuldades fiquem no passado e as soluções cheguem com o futuro. E no presente, este presente de viver, de acreditar que somos capazes, que podemos mudar e se reinventar sempre que preciso. Mesmo que não tenha nenhuma lógica algo mudar apenas porque o número do ano mudou. Mesmo que o fim seja conhecido.
Não importa. O que importa é continuar. Buscando, tentando, agindo, porque apenas aguardando não se sai do lugar. É lógico!
Como é lógico que se continuarmos explorando o planeta, de forma indiscriminada e voraz, abreviamos o nosso ciclo aqui. Nossa guerra abaixo das estrelas.
Como é lógico que se continuarmos calados, sem ao menos nos indignar contra esses usurpadores da sociedade, essa falta de vergonha na política, abreviamos a nossa sobre vida.
Mas se a lógica disser que está tudo dominado, que nada vai mudar, que a roubalheira vai continuar, que o Darth Vader vai ganhar, que o novo ano vai dançar, uma última dica: DANE-SE a lógica e faça você um 2016 feliz. Lógico!

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