Campi 13Os supersticiosos já estavam em estado de alerta pelo dia 13 cair numa sexta-feira. A ponto das ONGs suspenderem a doação de gatos pretos desde o final de outubro para pessoas não conhecidas, fato que mereceu destaque em colunas de notícias da web, deixando para segundo plano o rompimento das duas barragens da Samarco, em Mariana. Um desastre ambiental e social, que se une ao mar de lama que assola o país.
E se os mais conscientes já estavam orando pelas vítimas dessa tragédia anunciada que envolve mais irresponsabilidades, negligências, que causou a morte do Rio Doce, o atentado em Paris, na noite de ontem, engrossa o coro das orações e pontos de luz dedicados a esta humanidade perdida e refém do terror que ela própria criou.
No mesmo palco onde em 1795 foi criada a palavra “terrorista”, em meio aos embates entre girondinos e jacobinos, o mundo assistiu ontem, online, a mais uma demonstração da desumanidade dos humanos. Um desequilíbrio praticado há séculos, milênios, sempre movido por interesses pessoais, focados no próprio umbigo, camuflados pelas bandeiras criadas para justificar seus atos.
Bandeiras que externam suas preferências religiosas, que permitem matar em nome de seu Deus misericordioso. Uma contradição absoluta, independente da linha religiosa escolhida. Deus nenhum, em seu amor e bondade ainda não entendidos e incorporados por esses seres ditos humanos, avalizaria o uso de armas contra filhos inocentes, mesmo contra os não inocentes.
Bandeiras que servem de fachada para promessas políticas, do “tudo pelo social” e que concentram desvios de verbas públicas da saúde, educação, infraestrutura, para seus cofres fortes pessoais. Matando, mutilando pessoas, futuros, vidas, da mesma forma como fizeram as bombas que explodiram ontem próximo do Stade de France onde jogavam França e Alemanha.
Na verdade, bandeiras de terroristas, assumidos ou não, como os de ontem, que em nome de Alá possuem o único objetivo de disseminar o medo. O medo que nos paralisa sem nem sabermos direito de quê. O medo que é, de longe, o nosso maior inimigo em vida, uma bomba remota implantada em nossa mente, que nós mesmos nos incumbimos de alimentar e disparar. Nos fazendo reféns da nossa natural insegurança.
Diferente de outros perfis terroristas, os de ontem usam da tecnologia como mais uma de suas armas. Da mesma forma como os falsos e cada vez mais presentes “jornalistas” manipulam suas chamadas em busca dos nossos “cliques”, esses terroristas mudaram os alvos de seus ataques, desviando da mira política para a busca dos acessos midiáticos.
Assim, uma casa de shows, campo de futebol ou um mercado gera mais insegurança do que atacar uma embaixada ou um encontro de estadistas já previamente vigiados e segurados.
É o medo como vírus de uma pandemia global. Que gera contra-ataques sob a bandeira do “foi ele que começou”. E nessa troca de tiros, desamor, insegurança, todos perdem o pouco das razões que tinham, mesmo aquelas que se apoderam de um suporte divino para os seus atos.
E assim, a gente vai se agachando, escondendo das balas, como as que pipocaram na Linha Vermelha esta semana, na cidade que vai abrigar as Olimpíadas no ano que vem. Ou nas ruas de Jerusalém, Síria, Palestina, Nova Iorque e em quase todo canto deste mundo.
E agachados, protegidos pelos muros da vergonha, a gente chora pela nossa humanidade roubada, esquartejada, escorchada, perdida, como a vida das pessoas que andavam pelas ruas de Paris ontem, em Israel há um mês, em Mariana há uma semana, deste planeta, todos os dias. A gente chora pela nossa própria vida que o medo está minando, na sexta 13 ou em todos os dias da semana.
Paz.

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