????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????E o ano começou sem começar, mais ou menos no mesmo pique de quando terminou. Já é de praxe que enquanto o Momo não desfila esses habitantes da terra das araras não colocam o bloco do suor na avenida, só aquele que molha a fantasia, pra tudo se acabar na quarta-feira. E das cinzas esperam todos renascer, claro que na segunda-feira já que ninguém é de ferro, melhor emendar o final de semana e deixar para o ano novo começar junto com a semana, quem sabe junto com o regime.
E o ano começou com cara de preguiça, com o dólar mais alto dos últimos 10 anos, com novos aumentos de energia, combustível e até da água, que a gente nunca soube quanto custava. Agora sabe, com direito a arrepio na pele, tipo água gelada no inverno, que pode não ter, racionada que está.
E o ano começou, de cara feia. Na onda do quem tem, tem medo. Ou não.
Para muitos, sempre foi assim, não tem essa de limite, de estar diferente, de chegar no volume morto, isso é coisa da Cantareira, e acreditando nisso eles continuam lavando a calçada da casa com mangueira, como se água caísse do céu.
E o ano começou com cara de quem vai aprontar com a gente, daquele jeito meio maroto, sinalizando que tem novidade no pedaço, novidade para os que não acreditam em novidade, que acham que tudo vai ser sempre assim, desde que o mundo é mundo.
Aqueles que acreditam que político é tudo ladrão, sempre foi assim e não vai mudar. E nessa hora, o velho se agiganta e não dá espaço para o novo se mostrar, questionar e fazer diferente. “É assim mesmo, e vai ser sempre assim”.
Se o político que está no poder é o do seu time, paciência, sempre foi assim, “por que não investigaram os anteriores, sempre roubaram, foi sempre assim”. Mesmo que a ganância exacerbada dos de agora tenha colocado em risco a sobrevivência das instituições junto com a sua. “Sempre foi assim, não vai mudar”.
Se o político que está no poder é do time contrário ao seu, vale chiar, espernear, xingar, mas via Facebook, virtualmente e por algum tempo, porque não dá para ficar batendo em ferro frio, “foi sempre assim, fazer o quê, preciso correr pra pagar as contas”.
E o ano começou com cara de ano velho.
Com a gente agindo como sempre agimos, cuidando de tirar só o nosso da reta, e que cada um cuide dos seus problemas, que não são poucos.
E o ano começou com cara de que já assistimos esse filme.
Todas as falcatruas empreendidas pelos governantes, seja qual for o partido, serão pagas com o nosso próprio trabalho, mesmo que você não tenha nem trabalho.
E o ano começou com cara de que será farto em escassez.
Vai faltar água, energia, vergonha, atitude. Até porque, foi sempre assim.
Como naquele vilarejo de praia onde as pessoas desprezam a cabeça e o rabo dos peixes, mesmo com a escassez de alimentos que ele sofre. Ao pesquisar a razão, se descobre que antigamente, quando a pesca era farta e os peixes muito maiores, não cabiam nas panelas, e aí, se cortava as extremidades. Os tempos passaram, os peixes diminuíram e se você perguntar a algum nativo a razão de cortarem a cabeça e o rabo dos peixes na hora de preparar a comida vai ouvir: “não sei, sempre foi assim”.

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