Campi MerdeParis, Século XIX, as pessoas chegavam de carruagens aos teatros e, enquanto aguardavam o final do espetáculo, os cavalos ali estacionados usavam o passeio público como um banheiro público, ao ar livre. Ironicamente, quanto mais merda na entrada era sinal que mais carruagens estavam por lá, mais pessoas estavam assistindo à exibição. Assim, o sucesso da peça estava diretamente ligado ao volume de bosta de cavalo amontoada. Daí nasceu a expressão de desejar boa sorte aos artistas que se apresentam no palco, “merda pra você”, que se espalhou para o mundo todo.
Que merda.
Alguém já parou para pensar nessa capacidade do ser humano de produzir merda? Tanto física quanto a decorrente das suas ações?
É muita merda!
Pior, não só produz como acumula no seu interior, anda com ela para cima e para baixo, vai trabalhar com ela, namorar com ela, ver a peça no teatro com ela, participa do jantar de posse do presidente da república cheio dela! Esse jantar certamente reúne a maior concentração de cocô em escala industrial do planeta.
Que merda!
Ninguém vê, mas ela está lá, volumosa, fedidinha, durinha ou pastosa, seja como for, ela está lá! E pode ser a atriz que ganhou o Oscar, o mais rico do planeta, a modelo mais bem paga das passarelas, o escritor mais vendido do mundo, o prêmio Nobel de química, tem merda dentro dele, e em algum momento do dia, ele vai sentar no trono e expulsar essa merda toda pra fora. Isso quando consegue! Alguns são tão apegados à sua produção que demoram dias, até semanas, para se livrar dela. E quando ela se vai, em meio àquele fluxo de água que gira no sentido horário, ele fica monitorando, se despedindo, checando se aquela merda toda está indo embora direitinho. Tem os que ficam admirados com a produção, orgulhosos, “que baita cocô eu fiz!!”, “hoje mandei bem”.
Agora, vamos pensar juntos, pode um ser, em pleno século XXI e todos os avanços tecnológicos, que produz e faz merda todo santo dia se achar melhor do que o outro??? Não pode! Um ser superior não fabrica excrementos e armazena em si mesmo, não.
O Ser que programou este nosso game, que elaborou de forma tão complexa e detalhada os cenários, ambientes e cada um dos avatar que habitam seus planetas, foi preciso ao determinar duas características imutáveis e dramáticas ao ser humano: envelhecer e cagar. Não há arrogância que resista a essa verdade primitiva e acachapante.
Quando você estiver frente a frente a alguém que tenta se impor pelo cargo, pela bazófia, pela autoridade pedante, basta uma pergunta: Você caga? Então não é melhor do que eu. Se não for possível a pergunta de maneira explícita, com som, faça-a mentalmente, ela já possui um efeito íntimo poderoso. E pelo menos você não corre o risco de ser despedido ou levar uma multa por “desrespeitar” o juiz parado na blitz do bafômetro sem nenhum documento.
Pode ser que este texto não cheire bem para alguns, mas eu também tenho o direito de fazer as minhas cagadas.
Merde pour vous.

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