BlackEstamos perto do dia da verdade, e se tem uma coisa que faltou nesta eleição foi exatamente verdade.
Qualquer que seja o resultado, esta eleição certamente vai ser lembrada pelo baixo, medíocre nível da campanha, da apelação total, da falta de vergonha, da opção pela desconstrução do oponente, das colocações mentirosas e visivelmente levianas, ao invés da exaltação das qualidades e dos projetos de governo.
Claro que isso sempre existiu, mas foi intensificado pela disputa acirradíssima, medo e pelo uso das redes sociais que permitem que uma mentira possa ser repetida algumas vezes para virar verdade. O efeito multiplicador é instantâneo.
Já falei algumas vezes aqui que um dos erros mais lamentáveis na forma como se vê política no Brasil é tratar os partidos políticos como time de futebol. Usar da paixão clubística para analisar e avaliar um candidato, ao invés do olhar crítico e imparcial de se examinar, investigar, qualificar a performance de um servidor público.
A vantagem de termos essa exposição coletiva de preferências nas redes sociais acabou sendo a possibilidade de enxergar melhor a forma como cada um estabelece os seus critérios de avaliação, de conduta ética, moral, de princípios.
Diferente de torcer para Flamengo ou Fluminense, Palmeiras ou Corinthians, o apoio às atitudes de seus candidatos e partidos demonstram mais do que um alinhamento ideológico, atestam que para muitos, os fins justificam os meios.
Claro que muitos entraram no embalo de repercutir falsas notícias, ataques pessoais, no afã de valorizar a sua escolha. Muitas vezes inocentemente, ingenuamente, mais com o compromisso com o seu “time” de governo do que com o compromisso da verdade sem time.
Outros, aderiram de forma consciente a estratégia de fomentar o caos pelo conflito. O embate usado desde que o mundo é mundo, das diferenças de classes sociais, de sexo, religiosas, de raças, até de origens de nascimento, alimentando o ódio e preconceitos. E isso é lamentável, abominável, deplorável, desprezível, execrável, feio.
O que sobra de positivo é o fato de, num ambiente de rede social, esse tipo de comportamento estar visível, escancarado, o que serve como um sinalizador para a nossa escolha pessoal de quem serve ou não. Não para fazer parte de uma lista de amigos virtuais, que pouco ou nada influencia na nossa vida. Mas para definirmos os que merecem ou não estar sentados na nossa mesa de papos, dentro das nossas casas ou no nosso time de colegas de trabalho.
A escolha não é por apenas selecionar os que comungam da mesma opção política no dia 26. Evidente que cada um de nós possui amigos com diferença de escolha em quem deve ser o presidente eleito no domingo. Da mesma forma que cada um de nós possui centenas de amigos com times de futebol diferentes, e jamais nesta vida haverá um acordo unificado de escolha. Graças a Deus. E a isso chamamos de respeito, que é bom e qualquer um gosta.
Mas o tipo de argumento, o tipo de ataque maldoso, violento, baixo, sacana, que alguns estão tendo nessa eleição, merece sim um “X” na forma de voltar ou não a se relacionar com o mesmo interesse, expectativa, consideração.
Não é pela escolha de um “time” contrário, mas pela forma de defender e repercutir essa escolha. Não é pela paixão por seu time político, mas pela conduta que demonstra a forma de agir, de valorizar as coisas desta nossa vidinha, cada vez mais pobrinha, descartável e mixinha.
Certamente essas eleições irão deixar um saldo negativo nos relacionamentos entre amigos. Ou um saldo positivo na filtragem do joio e do trigo de cada um.

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