Campi PaisCertas datas, com o passar do tempo, ganham uma importância mais profunda na medida em que nos encontramos ou não, ainda, em condições de comemorá-las. E quanto mais elas se aproximam, mais mexem com o nosso interior.
Não importa que é uma data comercial, ela já se incorporou à nossa vida, ainda mais quando ele foi um dos responsáveis por estarmos aqui.
Filhos, de qualquer forma, todos nós somos, Pais, só uma parte.
Assim, todos sabem o que é ser filho, mas poucos sabem o que é ser Júnior. Ser Júnior é trazer um certificado de origem que você carrega onde for, mesmo se esquecer o RG em casa. Você é o filho do fulano, mesmo que a pessoa não conheça o fulano. E se conhece, aí você passa a carregar nas costas uma referência qualificada ou desqualificada, que qualquer outro, que não Júnior, nunca experimentou.
Se o pai é uma pessoa conceituada profissionalmente, de conhecimento público, o Júnior já começa a maratona da vida com o recorde da pista na mente, na pele, e a meta é no mínimo igualar.E se ele focar isso, vira refém da identidade paterna, muitas vezes sucumbe e se esconde atrás dela.
Não é fácil ser Júnior, que o diga o Indiana Jones. Por melhor que fossem as intenções do pai, ao optar pelo Júnior na identidade do rebento, de cara ele adiciona o “inho” na nomenclatura filial. E escancara para todos a linhagem, fazendo com que o filho torça como nenhum outro para o pai se dar bem. E quando isso se concretiza, a missão passa a ser estar a altura da chancela paterna, o que nem sempre é possível.
Tem quem entenda que amor de pai é uma das principais influências na personalidade humana. Pai dá exemplo, e a gente aprende não para ficar igual, mas porque acredita não existir uma forma diferente de ser. Só com o tempo percebemos que não é bem assim, e dependendo da ênfase que foi aplicada no aprendizado, não conseguimos mais fazer diferente. E se o exemplo foi bom, a gente não vai ser capaz de agradecer, na plenitude, enquanto viver, o presente recebido.
Muitas vezes, o nosso dia a dia deste salve-se quem conseguir embaça a vista e anestesia o amor que sentimos, e só percebemos o valor do que tínhamos quando não mais está por perto. Isso serve para muitos tipos de amor, mas é mais difícil de superar quando os envolvidos no reconhecimento são pais e mães.
Não dá para perder, em vida, a oportunidade de agradecer por tudo o que a gente recebeu e nem mesmo temos a exata noção do quanto foi. E mesmo que tenhamos feito, agradecido, aproveitado a presença, quando chega a data e não o temos mais ao lado, voltamos a sofrer pela perda, desejando tê-lo colado em nosso corpo em um abraço ainda mais apertado e curtido.
O amor de um pai para um filho só se entende na plenitude quando deixamos de ser apenas filhos para atuarmos no papel de pais. Neste momento, muitas visões distorcidas se alinham, muitas razões se justificam, carências se esvaziam. E se diferenças nesse julgamento persistirem, acredite, esse amor é maior que tudo, desconsidere qualquer prova em contrário.
Quando pequeno, a nossa admiração nos faz querer ser igual a ele quando crescer. E quando crescemos, a gente continua tentando, mesmo sabendo ser difícil se igualar ao melhor pai que já existiu. É como ter tido algo que os seus filhos não conseguirão ter. E quando o processo se renova, e os seus filhos geram filhos, como a Lina recém chegada, o desafio passa a tentar ser um avô como ele foi.
Por tudo isso, ser Júnior foi uma dádiva, um presente que recebi antes mesmo de saber seu valor.
Obrigado, Senior.

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