Campi Romeo&JulietVocê conhece Lorenzo Bartoline?
Claire conhece, ou conheceu, há 50 anos quando passou férias na Toscana e teve um relacionamento de adolescente com Lorenzo. Depois ela cresceu, foi obrigada a se tornar adulta e encarar a vida, os problemas, responsabilidades, sabe como é, essas coisas de gente grande. Ela voltou para a Inglaterra, casou, teve filhos, netos, ficou viúva, mas nunca, jamais esqueceu esses dias, esse amor ou paixão.
Quantas pessoas a gente é capaz de amar na vida? Não o sentimento que todo ser humano deveria ter em relação a um semelhante, mas amar como casal, amantes, carnal, visceral, aquele amor que a gente acha que se não tiver mais é melhor morrer. Não morre, claro, a gente acha, dramatiza, sofre, se desfaz, mas se recompõe, a ferida sara, as coisas mudam, passam. Tanto que voltamos a amar, desejar, querer ficar com alguém como se fosse a primeira vez, para sempre, um sempre que para muitos parece durar menos do que se esperava que durasse.
E para quantos, em uma vida toda, somos capazes de entregar o nosso coração dessa forma? Quantas almas gêmeas, únicas e insubstituíveis, temos? Quantos conseguimos amar com a mesma intensidade arrebatadora? Quando sabemos que encontramos?
Que sentimento é esse que nasce e nos faz crer que jamais irá morrer, e que com o passar dos anos migra para outro colo, outro coração?
Tem quem procure por ele a vida toda, tem quem o encontrou com a sorte de ter sido encontrado ao mesmo tempo. Tem quem o tem na mão e joga fora.
Tem quem mesmo se dado mal, amando quem não merecia ser amado, começaria tudo novamente, preencheria rapidinho aquele lado da cama que, vazio, cria um buraco no peito, na alma.
E tem quem pula de galho em galho só focado em saciar interesses, disfarçados de amor. É uma forma de cortar caminho, conseguir um lar, uma posição, um benefício qualquer, afinal, o que se vai dar em troca pode ser a qualquer um. Pode? Pode, a gente anda usando essa palavra das formas mais banais, como adorno de fachada, pode tudo.
“Amor é uma fumaça que se eleva com o vapor dos suspiros; purgado, é o fogo que cintila nos olhos dos amantes; frustrado, é o oceano nutrido das lágrimas desses amantes. O que mais é o amor? A mais discreta das loucuras, fel que sufoca, doçura que preserva.”
Romeo and Juliet. Como seria a vida deles se os Capuletos e Montecchios tivessem entrando em um acordo? Com o dia a dia de altos e baixos, crises e carências. Com smartphones, whatsapp, Facebook? Seria ainda a delícia do queijo e goiabada?
Qualquer um é capaz de superar uma desilusão amorosa, menos quem a sofreu.
Mesmo assim, mesmo quebrando a cara, tem quem daria tudo por um novo amor, até a submissão. E aí, a razão pergunta: Por que ele é tão essencial assim?
Os apaixonados respondem que está nele a essência da felicidade, o prazer de compartilhar, afinal, não basta apenas estarmos bem, satisfeitos, é preciso repartir, proporcionar essa mesma sensação a alguém, é o deleite do receber e dar.
Por isso, Claire foi tentar encontrar Lorenzo, sem se importar quanto tempo passou, sem pensar se ainda estava na idade. Porque para amar não tem tempo, basta se abrir, mesmo sem a gente saber se vai amar como já amamos, ou que alguém irá nos amar como a gente merece ser amado. Amar é dar, sem pensar, o coração, a vida, como Romeu e Julieta.

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