Campi Copa 2E a segunda fase terminou, as oito seleções classificadas se preparam para as quartas de final, e o balanço até aqui é que as torcidas, os jogadores, as seleções, estão fazendo uma Copa do Mundo que irá ficar eternamente na lembrança de quem participa, de quem assiste, de quem sofre, de quem vibra, de quem chora.
Em vinte dias, muita coisa aconteceu, jogos emocionantes, favoritos que voltaram mais cedo, outros que suaram para não voltar.
Teve assessor de imprensa da CBF que bateu em jogador do Chile no intervalo do jogo dramático que fez Julio Cesar virar herói. Teve jogadores da Croácia nadando pelados no hotel na Bahia. Teve a queda de três campeões mundiais na primeira fase, pela primeira vez na histórias dos mundiais. Teve torcedores japoneses limpando o estádio após o jogo e deixando exemplo. Teve mordida do Pac-Man uruguaio. Teve o príncipe Harry visitando a cracolândia paulista, limpa e desinfetada previamente pela prefeitura. Teve barraco dos jogadores de Gana com a comissão técnica. Teve torcedor com problema cardíaco morrendo na Arena Corinthians no jogo da Argentina.
Teve invasão de argentinos cantando que Maradona es más grande que Pelé. Teve quadrilha internacional, liderada por um argelino, vendendo ingressos, convites dados pela FIFA para as delegações participantes, que faturava mais de R$ 1 milhão por jogo. Teve sala de imprensa alagada por cano estourado. Teve muitos gols no fim, nos acréscimos, que mataram torcedores de tristeza e alegria. Aliás, faltando onze jogos para o fim, a Copa do Mundo do Brasil já superou o número de gols marcados em toda a última edição, na África do Sul. E seja qual for a seleção vencedora, ela será campeã invicta, sem perder um jogo.
Mas o mais importante, a Copa do Mundo do país do futebol teve até agora a demonstração de que o esporte está acima das safadezas políticas, das manobras marqueteiras que tentam usar uma festa popular com fins eleitoreiros. O que vemos em todos lugares, nas ruas, nos estádios, é o que se esperava do país do futebol com um povo que sabe receber o mundo com alegria, calor humano.
Como na hora em que um grupo de torcedores da Holanda, na Fan Fest em Fortaleza, após a vitória de sua seleção nos últimos minutos contra o México, tentou paquerar um grupo de cearenses lindas que participava da comemoração.
– Eu, Jos, este Kees e Jan. Feliz. Mais feliz met u… Disse Jos, enquanto apresentava os amigos, de olho no dicionário.
– Eita holandês abusado! Mete o quê? Respondeu Gabi desaprovando.
Jos percebeu a reação e voltou a consultar o dicionário.
– Oh… descupá… Met u… Com você… Mais feliz com você… isso…
– Ah… que fofinho, meninas… Você, Jos?
– Yes, sim… eu, Jos.
– Eu, Gabi, Aline, Vanessa. Disse Gabi apresentando as amigas.
– Lindo jogo, vocês tiveram sorte, muito rabo!
– Yes, Rabo… Rabobank, eu!
– hehehe… um banco de rabos??? Respondeu Gabi mostrando que não entendeu.
Jos novamente voltou a consultar o dicionário por um momento.
– Eu… trabalhar… banco… Rabobank…
A conversa foi abafada pela música que todos, holandeses, mexicanos, brasileiros e demais presentes, começaram a cantar: “Eu sou brasileiiiiiro, com muito orguuulho, com muito amooooooooor”.

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