Campi CopaMas podia não ter.
Como pode um país com tantos problemas de infraestrutura social, física, sediar um evento que queima bilhões de dólares em trinta dias?
Por outro lado, o investimento feito poderia trazer benefícios importantes para a população, divisas, turismo, visibilidade mundial para o país.
Mas o que havia sido prometido não foi cumprido, as obras estão inacabadas, o compromisso de só ser usado dinheiro da iniciativa privada não aconteceu, os valores foram superfaturados como nunca na história dos mundiais, dezenas de melhoramentos na infraestrutura não saíram do papel. Por este motivo, o povo comemorou a indicação e, ao não ver cumprida a palavra empenhada, está protestando.
Mas protestar, fazer greves, passeatas, pichações, nesta altura do campeonato vai mudar alguma coisa?
Certamente não muda muito, até porque, vai ter Copa.
Por outro lado, aceitar quieto e passivo só reforça a nossa submissão a esse bando de usurpadores oportunistas, verdadeiros irmãos metralhas que não perdem a chance de levar o por fora e dividir a batida de bolsa entre os da família.
E isso justifica sabotar a Copa, torcer contra, mostrar para o mundo uma imagem de intolerância, insegurança, incompetência, assumindo nossa condição de terceiro mundo?
Evidente que não.
Sediar um evento deste porte, receber os maiores jogadores do mundo, no país que mais títulos conquistou, ver desfilar Messi, Neymar, Iniesta, Xavi, Pirlo, Balotelli, Schweinsteiger, Götze, Robben, Kross, Cristiano Ronaldo em nossos gramados não tem preço.
Na verdade, tem sim. Tem um gosto amargo, um conflito íntimo de curtir o prazer da paixão pelo futebol sabendo de todas as mazelas, corrupção, descaso social que os dirigentes deste país, abençoado por Deus e bonito por natureza, praticam.
De assistir a política do pão e circo ocupar mais uma vez o horário nobre da programação imposta pelos impostores. De ter a consciência de que mais uma vez somos marionetes nas mãos de quem não nos merece.
Ao negar a Copa estamos nos autoflagelando, externando o nosso descontentamento, mas ao mesmo tempo rejeitando o nosso amor.
Estamos mostrando que não somos bobos alegres, mas ao mesmo tempo deixando escapar pelos vãos dos dedos um momento épico, inesquecível, que sempre foi para nós motivo de orgulho pelos nossos talentos natos e reconhecidos pelo mundo. Para quem sofre da síndrome de vira-lata, não é pouco.
E o que queremos? Usar essa oportunidade única para mostrar a nossa revolta? Usar politicamente a Copa e cair na vala comum dos safados que tanto desprezamos, que usam todas as oportunidades com o foco no toma lá, da cá?
Talvez, o que tinha que ser demonstrado, já tenha sido. Da mesma forma, como sabiamente disse uma determinada herdeira de corruptos, “o que tinha para ser roubado, já foi”. Melhor ouvir uma bobagem dessa do que ser surdo.
Certamente, o melhor momento para protestar e demonstrar toda nossa insatisfação será nas eleições em outubro.
Agora, é tempo de dar as boas vindas para quem respondeu ao chamado desta festa mundial. Agora, é hora de mostrar para o mundo o nosso melhor lado, o do calor humano, a nossa capacidade de driblar as dificuldades, os maus dirigentes, e entrar com bola e tudo: sorrindo, cantando, vibrando, festejando.
Vai pra cima Brasil!

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