Sem título-1O que se faz quando não se tem forças para deixar a cama e pisar o chão? Quando a noite continua em pleno dia, quando a luz do seu peito se apagou?
O que se faz?
Quando se olha em volta e nada parece fazer sentido? Quando o olhar está tão feroz que não deixa passar nada, quando a ilusão se vai e a realidade se apresenta, cruel?
O que se faz?
Quando as preces estão desgastadas? Quando dobrar os joelhos, pedir, suplicar não resulta em nada, quando a ajuda parece estar no se virar sozinho?
O que se faz?
Quando se passa a acreditar que acreditar é perda de tempo? Quando perder já virou rotina, quando viver não faz a menor diferença? O que se faz?
Não adianta saber que a vida é assim. Não adianta perceber que não é só com você. Não adianta repetir o que se ouve dizer.
A gente só quer saber o que se pode fazer quando a força de parar é maior do que a de andar. De desistir é maior do que a de seguir.
O que fazer?
Orar e aguardar?
Tentar e levantar?
E tentar, tentar, tentar e não sair do lugar?
O que se faz quando não se aguenta mais tropeçar?
Chorar? Reclamar? Espernear? E quando já se fez tudo isso e logicamente não se saiu do lugar? Voltar a orar, a chorar, a tentar acreditar? Como?
É nessas horas, quando tudo parece morrer, quando a noite parece não ter fim, que uma chama insiste em brilhar. Por mais tênue, sutil, débil, essa luz não se apaga, porque acredita na espera. Seu nome é Esperança.
Diferente da fé, que exige o acreditar em algo superior na espiritualidade, a esperança nasce com a gente, e persiste com a gente, até o último momento, dizem que é a última a partir, na verdade, ela sai de cena ao nosso lado.
É uma chama que permanece acesa, presente e calada, quieta, silenciosa, quase sem a gente perceber, ou alimentar. Basta um sopro de alento para essa energia nata se encorpar e aquecer o nosso instinto de lutar e perseverar. Ela só exige que nos distanciemos, por um momento, do condicionamento cada vez mais intenso dos resultados imediatos que este nosso dia a dia despenca goela abaixo, nos sufocando.
A Esperança nasce da espera, da certeza sem explicação de que no fim tudo dá certo, se ainda não deu, é porque não chegou ao fim.
E quando juntamos ela à fé, aí não tem pra ninguém, nem para as montanhas, porque recebemos o reforço de acreditarmos que, em nenhum momento, estamos sozinhos.
Por isso, chore, esperneei, desabafe, até porque, ninguém é de ferro, e ao final respire fundo, o mais fundo que você conseguir. E neste processo, procure buscar o lugar onde a sua espera se encontra, ela vai estar lá, não tem como você perdê-la. A Esperança não morre.

Anúncios