Campi LoveMe lembro dos seus cabelos mexendo com o vento, eram longos, cacheados, grossos, rebeldes, como a gente gostava de se sentir, sem uma causa, nem pausa, livres, leves indóceis.
Me lembro da intensidade do silêncio entre nós, ardente, pleno, a gente falava com o olhar, o tocar, o roçar.
Me lembro de dizer que seria para sempre, a gente só não sabia o quanto de tempo existe nesse prazo sem fim.
É isso, o fim. Que a gente não vê, não quer ver. Olhos apaixonados não enxergam. Não enxergam o que está na cara, imagine se vão enxergar o que se esconde deles.
Aí vem o tempo. Aquele que aguarda o véu cair e a mente assumir o olhar que o coração alimentou, como catarata a embaçar a visão. O tempo que ensina o olhar a somar frases e gestos com o que não foi dito.
Agora me lembro bem. Seria melhor esquecer.
Me lembro de tentar, porque era um tempo que se relutava o descartar. Não se desistia porque tinha uma pedra no meio do caminho, nem se no meio do caminho não desse para ver muito bem o resto do caminho. A gente tentava.
E quando a saída era pegar outro rumo, outro caminho, pelo menos a gente tinha enfrentado todas pedras que qualquer caminho possui. E isso parecia nos deixar mais fortes, mesmo perdendo. Vivendo e aprendendo, ganhando ou perdendo, aprendendo a jogar.
Me lembro da sua boca sorrindo, que alimentava o meu ser, ou não ser, quando ela não mais sorriu. Me lembro da dor, do desamor, me lembro de acreditar que seria o meu fim, naquele fim. E não foi, apenas o sorriso morreu, não eu.
E aí percebi que o amor não mata, o desamor machuca. Nem morre, porque a nossa capacidade de amar é que nos faz viver e não apenas respirar. É ele que faz a vida existir, a gente existir e querer continuar existindo.
Amar amar alguém. Com o fogo da paixão, com o calor da amizade, de dois pés ou quatro patas. Amar um dom, um prazer. Se navegar é preciso, amar é mais que preciso.
Aí percebi que não amava a ela, eu amava amar a pessoa que eu sentia nela, e que hoje pode estar em uma outra “ela”. E mesmo que não mais encontre essa “ela”, vale a capacidade de amar, e isso me faz mais do que apenas respirar.
Percebi que encontrar ou não faz parte. Ter essa capacidade faz a diferença. Mais ainda neste momento de tanta indiferença, tantas desavenças, tanto desamor.
Já há algum tempo, um anjo que viveu entre nós cantou por todos os cantos: All you need is love. Alguns, deste mal frequentado planeta, apenas ouviram, outros absorveram este mantra e parecem praticar com certa frequência. Isso é o que importa e que certamente fará toda diferença no que está por vir.
“Que homem é o homem que nada faz para tornar o mundo melhor?”
Certamente aquele que não ama. Porque ele é o caminho, que transforma tudo à sua volta.
Mesmo que tenha razões que a própria razão desconhece, que faça promessas e juras, e depois esqueça, vale mais se entregar em seus braços do que viver sem ele, até porque, se assim for, não se realmente vive, apenas se respira.

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