Campi MagritteA gente vive uma época em que vire e mexe surge algo inacreditável, absurdo, surreal à nossa frente, em todas as áreas. As pessoas se comportam, muitas vezes, de forma surpreendente, o que no caso dos políticos chega a ser natural, muito natural, afinal, eles não fazem parte da categoria de seres humanos. Em sua maioria, eles se enquadram no grupo dos Cafajestes Surreais, que são reais, tristemente reais.
Surreal é você morrer em uma maca de pronto-socorro após dois dias de espera para ser atendido. Credite isso ao grupo dos Cafajestes Surreais.
Surreal é você com apenas 13 anos ver o corpo da sua mãe ser retirado do Rio Sambre, Bélgica, após duas semanas do seu suicídio. Talvez por isso, René tenha se identificado com o movimento do surrealismo, que surgiu na década de 1920, fazendo companhia a Salvador Dalí, Marcel Duchamp, entre outros.
Os nossos políticos são mais que surreais, eles são reais, infelizmente reais.
René Magritte era sim um artista surreal, como suas obras, como sua infância. Dizia não pintar o objeto, mas a emoção que este produzia nele.
Os surrealistas nas artes, deram um nó na racionalidade, negavam a lógica, exaltavam a incoerência.
A exata identidade com os nossos políticos. Eles dão prioridade aos seus sonhos, valorizam os seus instintos, perversos, egoístas, egocêntricos.
O surrealismo nas artes surgiu no início do século passado.
O surrealismo na política surgiu na primeira convenção para eleição do síndico do condomínio de cavernas. E se perpetuou no poder, na arte de burlar o compromisso do voto dado, na habilidade de falar e não dizer nada de concreto, no truque de fazer sumir verbas que deveriam estar sendo empregadas em obras para o povo e que surgem em contas no exterior, na artimanha de prometer uma coisa e deixar a curta memória do povo esquecer a palavra empenhada.
Porque basta alçar um ser humano à condição de líder comunitário, para ele esquecer sua origem, seu compromisso com o cargo que ocupa e passar a integrar o time dos que praticam a arte surrealista de enganar. Tenha ele vindo de uma elite social ou da classe operária, não importa. Em pouco tempo ele é triturado, consumido pelo ego do poder, para criar sua própria elite de manipuladores surreais.
René Magritte dizia que “A mente ama o desconhecido. Ela adora imagens cujo significado é desconhecido”. Entendia que a vida o obrigava a fazer algo, e o algo que ele resolveu fazer foi pintar.
Nossos políticos, como autênticos surrealistas, também optaram por pintar: pintam o sete, pintam um quadro negro quando interessa para suas manobras, pintam um mundo melhor, ilusório, com suas falsas promessas.
Surreal esse momento que vivemos, que parece ser mais surreal do que o que os nossos pais viveram e já estranhavam. O que nos leva a crer que nada disso é novidade, que a vida é uma sucessão de momentos surreais. As vezes nas artes, que nos intriga e fascina, e por isso nos atrai. Outras vezes nos comportamentos, que andam na contramão da nossa compreensão e sentimento ético, e por isso nos repele.
Melhor ficar com o Magritte.

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