SONY DSCDiz a lenda que elas nasceram na Grécia, filhas de Zeus e Mnemosine, eram nove, e o culto a elas logo se alastrou e se perpetuou inspirando poetas, artistas, cientistas, músicos a ponto da palavra “música” ter origem nelas, Musas, a “chave da boa vida”.
E dos tempos antigos aos atuais, elas continuam a nos inspirar, nas artes, na ciência, na vida, em pensamentos, delírios ou de corpo presente, com o seu amor ou com a falta dele. Da paixão ao ódio, da irritação ao riso, da doação ao crime, não há homem na terra que não transite do céu ao inferno sem estar, mesmo sem perceber ou reconhecer, pela tutela de uma musa.
Musas, assim mesmo, no plural, na fartura, tocando o nosso coração, a nossa mente, o nosso olhar, o nosso calar, o nosso falar.
Não é pelo dia, não é pela data, afinal, elas estão juntas e misturadas, nas entranhas do nosso ser, desde quando a primeira delas nos levou a morder a maçã e provar do pecado, que a gente adora e não vive sem.
Musas, assim mesmo, no plural, na fartura de musas que colecionamos enquanto elas desfilam em nossas vidas, desde aquela que nos trouxe à vida. Passando pela aquela que nos ensinou a soletrar, e que nos inspirou na arte de amar.
Musas, desde aquela que pela primeira vez nos fez perder o fôlego, numa falta de ar que encheu o coração de batidas. Desde aquela que nos inspirou a mudar, a crescer, a pensar em uma forma de juntar, colar, pele com pele, que pensamos, buscamos ser pra toda vida.
Musas, assim mesmo, no plural, de sentimentos. Musas do amor e da dor, paixão e decepção, porque nem as musas são perfeitas, e nessa perfeita imperfeição é que entrelaçamos as cordas do nosso barco, que precisa navegar porque é para isso que foi feito. E que pode ficar a deriva, porque porto seguro, só a cidade.
Musas, assim mesmo, no plural, de formas, mais cheias, mais magras, que se moldam ao nosso ser independente do externo, porque é no seu interior que buscamos abrigo, colo, conforto. É nessa comunhão de energias que nos recarregamos e que sentimos as forças minguarem quando nos distanciamos.
Musas, que mesmo cobertas, da cabeça ao pés, com as burcas de uma fé que sufoca, exalam a força que nada cala.
Musas, assim mesmo, no plural, de inspirações, vocações, doações, provações, gestações, veneradas e cultuadas, em cada dia, cada mês. Não pelo comércio, mas pela força de uma voz que meigamente se impôs.
Obrigado, Musas.

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