BeFriendsTodo dia, Fernanda e Clara se encontram na pista do parque. Todo dia, Fernanda e Clara conversam, desabafam, choram, riem, como só duas grandes amigas conseguem fazer.
– E aí, como foi de casamento, estava bom??
– Estava ótimo, muito gostoso, festa, música, a noiva estava linda, o noivo um pedaço de mau caminho… tudo muito bom. Não gostei muito do vestido da mãe da noiva, a…
– Carmem… conheço ela… não tem muito bom gosto mesmo…
– E você, novidades??
– Não muitas, tudo caminhando. Ainda preocupada com o Marcelo que não consegue emprego, a coisa está ficando difícil, já estou percebendo uma certa tensão no relacionamento dele com a Ana… sei não, tem algo esquisito, não sei se tem boi na linha ali não, ela sempre me pareceu meio interesseira, já tentei tocar nesse assunto com o meu filho, mas fico com medo dele não entender… estou preocupada, você conhece o Marcelo… o que eu faço??
– Então, também ando encucada… o Carlos meio estranho, tem trabalhado até mais tarde quase todos os dias, quando chega em casa quase não conversa, não se abre, não me procura já há algumas semanas… tem alguma coisa esquisita aí, estou preocupada… não sei se coloco ele na parede…
– O Marcelo também anda estranho, acho que ele percebeu alguma coisa e não quer tocar no assunto comigo. Antes ia pelo menos na quarta-feira lá em casa, a gente pedia uma pizza, conversava… Agora, nem no final de semana…
– O pior é que, não sei se é paranoia minha, mas senti no casamento que ele estava muito empolgado com a Solange, sobrinha de um tio meu lá do Mato Grosso, sabe quem é?
– Sei não… o Marcelo prometeu passar em casa amanhã a noite, já falei com o Alberto, se ele não for, ele tem que falar com o Marcelo, afinal pai é para essas horas, dar um suporte, conversar, trocar ideias, você não acha?
– Ah… essa Solange é meio danada, achei que ela estava dando um mole para o Carlos, e quando o meu desconfiometro me aciona, ahhh… sinal vermelho!!! Eu confio muito na minha intuição, Fernanda. O Carlos anda estranho, acredite em mim.
– Pois é… a minha parte de mãe estou fazendo, já falei para o Alberto, ou ele faz a dele, de pai, ou a gente perde o Marcelo. E aquela Ana, sei lá, ando atravessada com ela. Já percebi umas conversas meio ríspida entre os dois, ela parece não entender o momento difícil que o meu filho está passando…
– Complicado isso, Fernanda. A gente confia integralmente no marido, até que ele mesmo dá motivo para a gente começar a desconfiar. A culpa é dele, eu já tentei diversas vezes conversar, entender, ouvir o lado dele, papear como nós duas fazemos, mas não, ele não se abre, está sempre pensativo, quieto…
– Ai, amiga, uma hora as coisas se ajeitam, o que a gente não pode é perder a fé. Não há mal que sempre dure!
– Pois é, amiga, ainda bem que tenho você para me ouvir, aconselhar…
Todo dia, Fernanda e Clara se encontram na pista do parque. Todo dia, Fernanda e Clara conversam, não se escutam, como só duas grandes amigas conseguem fazer.

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