CampiElixirSábado, 2 de novembro.
Céu azul, sol, poucos carros na rua, lojas fechadas, parece que a cidade para, morre para celebrar a razão do feriado, o fim. Seria a morte o fim?
Resumir a vida em o que fazemos entre nascer e morrer parece muito pouco para um projeto tão complexo, tão cheio de detalhes e nuances. Desde a incrível aglutinação de células comuns que dão forma a cada tecido, de cada parte do nosso corpo, à composição de cada elemento, seja ele mineral, vegetal, animal. E todo esse intricado mecanismo, tão bem elaborado possui os dias contados enquanto a pedra é eterna. Não parece combinar com a inteligência que concebeu este universo.
Pensar que a morte encerra a vida é dar importância demasiada a esta senhora, um peso que a nossa ignorância teme e refuta. Por outro lado, se imaginarmos que a morte é uma etapa da vida, uma porta de passagem à uma fase que desconhecemos, esse peso é aliviado e esta senhora deixa de ser tão má e cruel.
Mesmo assim, a nossa percepção sabe apenas o que ela encerra, mas não sabe exatamente o que ela é. O que faz com que a morte venha envolta em dramaticidade no momento em que ela se apodera de seres que nos são caros. Mais ainda quando ela nos ameaça levar para esse lugar incerto.
Sábado, 2 de novembro, finados.
Dia de lembrar daqueles que se foram, de fazer uma oração, acender uma vela, visitar o túmulo, levar flores. Um dia triste, lento, sentido. E assim é porque focamos o fim.
Claro, a proposta não é passar a ver esta senhora como alguém atraente e desejável, até porque ela só será conquistada após se ter o mérito de ter trilhado o caminho. E encarando assim, como uma porta que surge ao final do percurso, ela deixa de ser a bruxa que rouba a vida para se tornar a passagem para a imortalidade. Como um elixir, que tantos buscam na fonte da juventude.
Ao cruzar a porta, esse tempo que sufoca, que pressiona, que aprisiona, deixa de existir para se tornar eterno. Aquilo que era finito passa não ter mais limites, a liberdade que o seu espírito clama e anseia.
Mas para ter acesso a esse momento, é preciso enfrentar seus medos, encarar o breu que leva à luz maior. Para beber desse elixir é preciso, mais do que tudo, acreditar que esse Alguém que criou tanta complexidade jamais nos aprisionaria ao final da jornada. Pelo contrário, esta é a conquista da nossa liberdade eterna.
Sábado, 2 de novembro, dia dos vivos que passaram pela porta. E que nos aguardam na eterna vida que está por vir. Acredite.

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