ElihuMarioneteSente e procure se sentir confortável. Feche os olhos e tente se colocar à margem do que acontece em volta, ouça os ruídos, sons, mas não julgue, apenas ouça e deixe passar para que o silêncio retorne e sua mente adormeça. Talvez, neste estado de meditação, você consiga perceber o tênue fio que foi se formando preso em nossas mãos, pés, cabeça. Um fio tecido pacientemente enquanto a gente se preocupava em correr atrás do rabo, apagar os incêndios que pipocam em cada canto do nosso ser, alguns deles, ou muitos, causados estrategicamente por aqueles que manipulam esses invisíveis fios.
A vida está se tornando um grande show de marionetes onde os fantoches juram que agem por conta própria sem se dar conta das tramas que se confundem com os fatos naturais do dia a dia. Como gado conduzido pelo líder da boiada vamos sendo levados a aceitar os contratempos como simples acasos, contingências da economia, da política, do clima, da natureza, da vida. E assim, de golpe em golpe, esse fio imperceptível nos faz ajoelhar e orar, aceitar, agradecer, sorrir, votar.
Tudo se aprimora com o tempo, com os fatos que a história registra, com a tecnologia que as inteligências desenvolvem, com as novas necessidades que acreditamos serem nossas. Da mesma forma as técnicas de manipulação, que conduzem o gado, que movimentam os fios, vem sendo acuradas, lapidadas, contando sempre com a atenção que damos primordialmente para os nossos umbigos, nossas carências. Se nos sentirmos individualmente satisfeitos, o coletivo que se dane, afinal, se o meu não estiver na reta, tudo bem. Até que esteja.
A massa pede para ser conduzida, dá muito trabalho ficar atento a tudo. E se quem estiver no comando priorizar o seu interesse pessoal, a massa dança.
Desvios de conduta existem desde sempre, a história está aí para contar as mazelas que talentosos seres que se dizem humanos já foram capazes de empreender. Desde tempos remotos, quando um ladrão condenado teve a vida poupada em troca da de um jovem judeu cheio de ideias que subvertiam a ordem local e que acabou crucificado pela manobra ardilosa do voto do povo. Fios mexidos com requinte, que por outro lado fez consagrar um líder religioso.
De falcatruas e golpes, manobras e artimanhas, o homem foi desenhando sua linha do tempo marcada por avanços e retrocessos, conquistas e crueldades.
Já houve quem defendeu que a paz mundial somente seria alcançada através da dominação do mundo por uma raça de “cultura superior” que garantiria a ordem sobre os povos. Mentiras foram tão bem contadas e conduzidas, como uma lavagem ideológica psicológica, que viraram verdades para milhares e milhares que embarcaram sem questionar. Um oportunista nato e radical criou identidade com a classe operária e fomentou um nacionalismo feroz, usando de técnicas de propaganda política e social que fizeram história e escola.
Quando líderes políticos se unem aos líderes econômicos, a precisão da manipulação social encontra o seu moto continuo, um alimentando e dando retaguarda ao outro, fazendo com que os fantoches dancem conforme a música deles.
E se antes uma mentira precisava ser repetida diversas vezes para virar verdade, hoje basta uma postagem estrategicamente colocada, ardilosamente montada, plantada para desmontar a credibilidade, incutir a dúvida, o medo e acionar nosso mecanismo de defesa do “antes no dele do que no meu”. E assim, desarticular movimentos sérios, colocar tudo sob suspeita, fomentar a descrença e a sensação de que está tudo dominado. No afã de uma reação concreta, passamos a agir buscando justiça a qualquer preço, o que destrói a legitimidade da iniciativa e joga por terra a ação verdadeira e íntegra. Proceder assim é fazer o jogo dos manipuladores, é agir perdendo a razão, é fazer de nós meros peões que serão sacrificados para deleite da rainha.
O debate virou via de mão única, não concordar significa estar contra o “inimigo” e o que era exercício democrático virou ringue de destratação, um confronto clubístico pontuado pelo xingamento e a desconstrução. E quando um está determinado a não entender, explicar parece perda de tempo.
Aproveite que você está sentado, de forma confortável, de olhos fechados, e tente localizar esses abomináveis fios. Destrua o comando, reveja suas verdades, tire o ego como escudo, dispa o socialmente importante. Pense, desconfie de você, tente enxergar além, ler as entrelinhas camufladas, perceber o jogo de intrigas, captar a intenção dissimulada do “tudo pelo social” que traz o verdadeiro interesse por trás, pessoal, econômico, de centralizar poder, pelo poder, que corrompe.
Analise, perceba e se posicione. Não há maledeto fio que resista à consciência do nosso verdadeiro Eu.

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