CampiSIMAinda me lembro da primeira pessoa que eu conhecia que morreu de AIDS, ninguém sabia exatamente o que era, como pegava, no início dos anos 80. Era a síndrome da imunodeficiência adquirida, também conhecida por SIDA, mas a gente no Brasil adotou mais a sigla americana para essa pandemia provocada por uma outra sigla, o HIV.
De lá para cá, muitas síndromes foram detectadas, dezenas de siglas criadas, algumas viraram epidemias, mas acredito que nenhuma tão forte e persistente como essa que se alastra por todo país, a SIM, Síndrome de Insuficiência Moral. O ser humano já convive com ela há milhares de anos, só que parece que agora o vírus FVC, que provoca a SIM, está fora de controle, ficou mais forte, nossos médicos não estão dando conta de combater, a ponto de precisarmos importar ajuda de outros centros avançados de medicina. Cá entre nós, acho que isso é mais um sintoma da SIM.
Historicamente, essa síndrome está relacionada aos grandes centros urbanos, mais precisamente onde há concentração de políticos como câmara, congresso, casa do governo. Pesquisas indicam que desde a década de 60, o maior foco de portadores de SIM é o planalto central, e a propagação dos infectados se intensificou a partir da década de 80, por coincidência, quando a AIDS passou a ser diagnosticada.
Os sintomas as vezes estão camuflados, mas não é difícil perceber, o paciente demonstra um egoísmo intensificado, o índice de ganância no sangue sobe e gradativamente ele perde a noção de ética, caráter, respeito ao próximo, dignidade e interesse coletivo. O que acaba por desencadear outros males como falta de amor, caridade, honestidade, senso de justiça. Com o tempo, o enfermo desenvolve déficit de memória recente sobre suas atitudes, passa a não saber de nada, não se lembrar de nada. Estudos dizem que em pessoas contaminadas há mais de uma década ocorre também perda de visão, eles não veem nada.
Se a doença for detectada em seu estado inicial, ainda é possível que seja revertida, mas infelizmente os casos em que isso ocorreu são desprezíveis em termos estatísticos. O dado bom é que, inexplicavelmente, algumas pessoas possuem anticorpos que as deixam imunes ao vírus FVC (Falta de Vergonha na Cara). Pesquisadores do CDHU, Centro de Desenvolvimento Humanitário Único, atribuem parte dessa imunidade ao lar em que esses indivíduos cresceram, educação, exemplo e participação dos pais na formação do caráter, índole dessas pessoas. Mas a ciência não conseguiu determinar com precisão se essa defesa natural do organismo contra a corrupção e deformação de valores esta no DNA, ou mesmo o quanto ela resiste aos estímulos externos.
De concreto, o que se sabe é que o agente infecta, espalha-se fácil e sustentavelmente entre humanos, em todos os continentes, o que por si caracteriza uma pandemia, segundo a Organização Mundial de Saúde. Por razões ainda desconhecidas, talvez climáticas, a situação no Brasil já atingiu o nível crítico e estamos em alerta vermelho, ou seja, risco extremo. Os mais pessimistas suspeitam de um novo golpe, mas esta reação epidérmica parece autodefesa do próprio organismo infectado.
De qualquer forma, a primeira providência é imediatamente isolar estes doentes infectados pela SIM dos ainda sadios, preferencialmente em celas apropriadas para uma quarentena (o período recomendado seria de 40 anos, sem redução da pena por bom comportamento). Dada a impossibilidade dessa medida terapêutica, uma vez que não há disponibilidade de celas suficientes, além de serem os próprios doentes os responsáveis pelas normas, julgamentos e não execuções, a outra alternativa seria um isolamento eleitoral, onde se trocaria toda a água fétida e contaminada da piscina imprópria para uso humano.
O importante é que os que ainda não se contaminaram façam a sua parte, protestando, se posicionando, denunciando abusos e falcatruas para que tenhamos um país mais sadio e próprio para vivermos como nunca antes.
Diga NÃO à SIM, e lembre-se, ela mata, principalmente esperanças.

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