CampiPazMartin, de 8 anos, havia abraçado o pai ao final da corrida quando voltava para arquibancada junto à sua mãe e irmã. Neste mesmo instante, Mike e Jefferson cruzavam a linha de chegada da Maratona de Boston. Eles ficaram sem as pernas, Martin morreu.
Em que mundo estamos? De que raça são esses seres que usam um evento esportivo como palco de terror para demonstrar seu descontentamento contra uma situação política, um antagonismo religioso, uma discordância qualquer sobre um assunto qualquer? Animal? Um animal age por instinto, de se alimentar, se defender, um animal não faz por fazer, não mata por prazer. Seria injusto com os animais.
Não há nada, nada que justifique planejar, arquitetar uma explosão que certamente fará vítimas inocentes, em nome de uma ação ideológica pretensamente a serviço de minorias subjugadas para combater imperialistas, opressores, ditadores. Cuja classificação depende de que lado você esteja. É muita pretensão que muitas vezes mascara interesses outros, nem um pouco nobres.
Nada justifica se apropriar do direito de definir quem merece viver ou morrer, ou mesmo acreditar que uns poucos possam ser sacrificados para o benefício de outros tantos. A história pontua centenas de milhares de iniciativas como essa de Boston e o tempo acaba por etiquetar e arquivar na pasta de crimes hediondos contra a humanidade, cada vez menos humana.
Incutir e proliferar o vírus do medo e da insegurança geral e irrestrita é o principal foco desse tipo de atentado. Baratas tontas se perdem, se acovardam, se submetem, se borram, se entregam ao primeiro discurso de um salvador habilidoso, convincente e oportunista.
E lá vai a boiada fazer o seu papel de massa falida, esfolada, mal tratada, mal gerida, mal representada, que o máximo que consegue é ficar de mal com a vida. Vida? Que vida? Aquela do garoto que abraçou o pai e partiu, em nome de um conflito que ele nem tinha ideia que existia? Vida? Aquela dos esportistas que corriam por um desafio pessoal de chegar ao fim da maratona, e que agora não conseguirão andar até o fim da vida?
Que vida?
Que raio de vida é essa que seres como esses querem impingir a semelhantes como nós? Que seres somos nós que assistimos a tudo isso, e viramos de página, de clique, esperando o jornal, a novela, a hora de dormir, aceitando que tudo isso faz parte da vida? Que vida?
Que vida terá esse pai que recebeu o abraço ao cruzar a linha de chegada e viu sua vida, sua esposa, seus filhos explodirem por uma ação doentia de quem ainda acredita em política? De quem ainda discute política? De quem mata dizendo agir em benefício daqueles que serão mortos como represália ao seu ato imbecil, cruel, monstruoso, vil?
Que vida é essa que ajudamos a construir cada vez que uma ação abominável como essa se perpetua como dado estatístico?
Não importa que a explosão tenha sido em um lugar distante, onde não se fala a nossa língua, até porque, a língua que se deve falar, em qualquer canto deste Universo, é uma só: a da paz. A paz entre os seres, a paz entre os países, a paz entre os que possuem opinião contrária, mesmo que por toda vida.
Paz, porque sem ela, não há vida.

Anúncios