CampiAntes de PartirCena 1. Um milionário divide o quarto de seu próprio hospital com um negro classe média. Ambos estão condenados, pela medicina, a viverem mais alguns poucos meses apenas e resolvem elaborar uma lista do que desejam fazer antes de partir.
Cena 2. Um ciclista que anda na sua faixa exclusiva quando um motorista embriagado o atropela.
Cena 3. Uma boate com centenas de jovens dispostos a curtir uma balada antes do final de semana chegar ao fim. A boate, que tinha o alvará de funcionamento vencido, pega fogo e dezenas de jovens morrem sem direito a nenhum pedido antes de partir.
A vida é muito linda para alguns, injusta para outros, sem graça para muitos, completamente misteriosas para todos.
E enquanto discutimos o que fazemos aqui, ela corre, rola, e quem quiser acompanhar, que corra atrás sem muito questionar. A verdade é que é muito mais fácil morrer do que viver, e como somos movidos por desafios, quanto mais difícil, mais a gente tem que agir e é exatamente isso que nos mantém vivos, e não apenas sobrevivendo.
Após alguns muitos anos de estrada, colecionando tropeços, quedas e superações, nos vemos à caça de novas motivações, e nessa hora, uma pequena pergunta talvez possa ser muito útil: quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?
Fazer algo pela primeira vez é quebrar rotinas, é vencer bloqueios, é buscar se auto desafiar. É experimentar o novo, e o novo possui um sabor que nada pode superar, mesmo que se torne amargo, não importa, o importante é experimentar, tentar, buscar, e se não gostar, simplesmente deixar, e novamente arriscar para tentar realizar. E assim, viver.
Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?
Pegue lápis, papel e escreva, porque ao escrever você registra a sua energia e formaliza o seu pensamento de forma concreta, ele deixa a mente e vira fato.
Faça uma lista das coisas que você não fez ainda e gostaria de fazer, das mais insólitas às mais banais como pular de asa delta ou comer pastel na feira, colocar seu filho no colo e dizer que o ama, reatar com o seu pai, irmão, amigo, mergulhar em um navio naufragado ou convidar alguém para jantar.
Uns dizem que a vida é curta, outros acham a vida muito longa, uns querem surfar em mares revoltos, outros pedem para não fazer marola. Cada um tem a sua história, seus desafios, suas derrotas, vitórias, sua cruz, seu momento de pedir para fechar os olhos e abrir com tudo mudado.
Natural que a lista de um seja um pouco ou completamente diferente da lista do outro. O ponto em comum, que vale para todos, é que sabemos quando chegamos nesta gincana da vida, mas não temos a menor ideia de quando partimos. Então, que a gente parta com os desejos em dia, e se deixarmos alguns que não conseguimos atender antes de partir, que o prazer que sentimos com os realizados supere os que ficaram na lista sem concluir.

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