CampiPapaHoje, 28 de fevereiro de 2013, é o último dia do Papa Bento XVI como líder da Igreja Católica.
A última renúncia de um Papa aconteceu há cerca de 600 anos, não por motivos de saúde ou idade avançada do sumo pontífice, mas por disputas políticas, sempre muito comuns na Santa Igreja. Esta crise, no final do século XIV, recebeu o nome de Grande Cisma do Ocidente, quando a residência do papado foi alterada de Roma para Avinhão, na França, e por um tempo houveram disputas de liderança, o papa residindo de volta em Roma, e dois antipapas, um em Avinhão e outro em Pisa.
Até que Gregório XII, que havia sido eleito em 1406, acabou por renunciar em 1417 para novamente o papado passar a ter como sede a cidade de Roma e um único sumo pontífice, quando foi eleito Marinho V.
Como sempre acontece, mais do que um embate religioso, este Cisma tinha um fundamento político com parte das poderosas famílias reais ao lado de Avinhão e a outra parte ao lado de Roma. Nessa época, o mundo era a Europa e os acordos entre as nações que tomaram partido de cada lado tinham como objetivo ter a hegemonia política do mundo, natural para um planeta comandado por seres humanos.
De volta aos nossos dias, esta não é a primeira renúncia de Joseph Ratzinger, ele já havia renunciado à uma vida comum, renunciado a ter uma família, esposa, filhos, quando decidiu seguir sua vocação religiosa. E o que faria alguém que renunciara aos desejos carnais, renunciar ao cargo de servo mais próximo de Deus na Igreja Católica?
Em sua primeira homilia como Papa, em abril de 2005, Bento XVI disse: “Rezem por mim, para que eu não fuja por medo dos lobos”. Ele sabia o que o aguardava nesse novo desafio de sua caminhada religiosa, e resolver abrir mão dessa tarefa por motivos que nenhum outro Papa alegou, em toda a história do papado, possui um peso inacessível a nós, meros espectadores.
Não devia ser fácil conduzir o rebanho de católicos na época de Clemente I, ou Celestino V, Gregório XII, Pio XII, ou mesmo João XXIII. Muito pior agora, com todas as luzes, focos, expectativas, críticas, alinhadas em torno dele nessa big rede social em que o mundo se tornou.
Dá para imaginar o peso para alguém como o Papa, que tem na cruz seu exemplo maior de doação e abnegação, descer da cruz?
Fazer piada com homossexual é homofobia, tirar sarro, menosprezar, sacanear uma autoridade religiosa, é fazer uso da democracia. Seja você judeu, evangélico, protestante, espírita, católico ou ateu, respeito é bom e qualquer um gosta.
Que existem turbulências internas, escândalos de condutas não éticas de cunho sexuais, financeiros, políticos, não há dúvida. Sempre existiram, em todas as linhas de credo, até porque, tanto o rebanho quanto os seus condutores são seres humanos, um espécime raro, capaz de conduzir seus semelhantes e o próprio planeta à extinção de forma consciente.
Nós nascemos e crescemos acreditando que o cargo de um Papa era para a vida toda e Bento XVI está mostrando que assim não é. Por outro lado, aqueles que acreditam, não importa por qual caminho direcionam sua crença, colocam na mão do seu Deus o comando de suas vidas, sabendo que Ele agirá com a sabedoria, verdade e justiça que nós jamais teremos. Então, para os que acreditam na providencia divina, não há o que temer, não estávamos antes e não estaremos agora sozinhos, jamais.
Já houve um Comandante que implorou para o Pai afastar o cálice, hoje estamos vendo um outro que desce da cruz.
Neste momento histórico, não nos cabe julgar, apenas sermos testemunhas.

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