CampiPetroleoTodos os dias recebo diversos e-mails oferecendo cursos de gestão, gestão financeira, gestão escolar, gestão de empresa, gestão de RH, tem muita gente especializado em formar profissionais em gestão. Procurei e não achei ninguém craque em gerir planetas, talvez o profissional mais importante para a humanidade neste momento.
Nós exploramos este nosso planeta Terra da mesma forma que abrimos uma lata de leite condensado, como se ao raspar a última gota, bastasse pegar a nossa nave e pousar no planetinha mais próximo, claro, que tenha água, oxigênio e o mais importante, petróleo. A Terra? Algum funcionário da companhia de lixo interplanetário passa, varre e leva.
Da mesma forma como muitos habitantes, nosso planeta sofre hoje de obesidade. Nós por alimentarmos em excesso e de forma desregrada, o planeta pela exploração desenfreada que provoca o desmatamento e a emissão excessiva de gases de efeito estufa, que polui o ar e altera todo equilíbrio climático e do meio ambiente. O consumo de combustíveis fósseis derivados do petróleo é o maior causador desta situação, mas em pouco tempo vai deixar de ser. Não porque vamos deixar de pensar apenas nas necessidades do nosso próprio umbigo ou vamos parar de agir no individual e passar a pensar de verdade no coletivo, não, o petróleo é que vai acabar.
Há pouco mais de 100 anos descobrimos o ouro negro, capaz de tornar possível a fabricação de uma infinidade de produtos, da aspirina ao batom, dos celulares, computadores aos desinfetantes e tintas. Sem contar todas as embalagens que acondicionam esses produtos ou os combustíveis que nos permitem rodar por terra, mar e ar. Em menos de 200 anos vamos acabar com o que a natureza levou milhões de anos para gerar. A produção de petróleo diminui a cada dia e por volta de 40 anos irão ter processado a última gota. Antes disso ele já vai se tornar algo raro, só acessível a alguns poucos e o caos terá se formado.
Pequim, antes conhecida como a cidade da bicicleta, hoje destrói bairros da era medieval para arrumar espaço para os milhares de carros que todo dia entram nas autovias. Não por acaso a sua poluição é sete vezes maior que a de Paris, e a China o maior emissor de CO2 do mundo.
Os EUA, que consomem 1/4 do petróleo do mundo e têm 5% da população mundial, teriam que reduzir o consumo de petróleo em cerca de 80%. Sua autonomia de combustível é hoje de duas semanas, quinze dias. Qualquer bloqueio de exportação por alguma crise nos países produtores atingiria os EUA na sua alma. Não por acaso, muitos dos conflitos mundiais tem no petróleo a verdadeira causa.
Enquanto isso, o planeta padece, aquece, morre.
O fim do petróleo não é apenas o fim de uma era, mas o fim de uma civilização, que não possui alternativa capaz de compensar a tempo o fim de sua extração. Até porque, muitos ainda não se conscientizaram dessa situação extrema, continuam consumindo e se comportando como se tudo fosse delírio dos ecochatos.
Nós podemos continuar acreditando que nada vai mudar, ou podemos agir como o beija-flor no incêndio da floresta, fazendo a nossa parte, conscientes que a situação é crítica e exige atitude de cada um.
Deixar o carro na garagem alguns dias da semana é uma contribuição, reduzir o consumo de energia elétrica, reciclar e diminuir a quantidade de lixo, comer menos carne bovina e suína, plantar árvores, também.
E talvez o mais importante, semear essa consciência de que vamos colher aquilo que plantamos, nem mais, nem menos. A natureza não leva propina.

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