CampiSmileHá muito tempo, o poeta francês Toulet já dizia que sorrir é a melhor maneira de mostrar os dentes ao destino.
Sorrir, na verdade, é um remédio indicado para diversos males, e as necessidades posológicas são variáveis e individualizadas segundo a gravidade do estado de cada um. Em casos com risco de vida, a posologia indicada é sorrir imediatamente, e sempre, tal qual respirar. Sua ação é rápida e precisa, sem efeitos colaterais adversos, a não ser gerar esporadicamente reações alérgicas de inveja e ciúmes ao redor.
A dificuldade deste tratamento é que ele deve ser administrado de dentro para fora, como algo natural, não forçado, de geração espontânea, e nem sempre estamos dispostos ou preparados para seguir essa medicação. Por outro lado, não é raro ver sorrisos forjados, como armaduras de defesa da felicidade que lá não está, apenas para passar a mensagem de que cá está tudo bem.
Sorrir é dar boas-vindas sem falar, é acariciar sem tocar, é a voz que sai do coração, em qualquer idioma, qualquer lugar. Sorrir ilumina a sombra, ameniza a dor, dispersa o medo e a tristeza, é a frase mais forte da linguagem de sinais.
Você certamente já ouviu alguém dizer que para franzir a testa movimentamos muito mais músculos do que para abrir um sorriso, se for por preguiça, rir é menos cansativo. Lá atrás, na Grécia antiga, Aristóteles já disse que o homem é o único animal que ri, o que ele não disse é que é o único que mata por prazer.
Então, entre essas duas capacidades únicas, por que não sorrirmos mais? Por que vemos nas ruas pessoas mais carrancudas do que sorrindo? Não é nenhuma fórmula mágica, rir possui ações físicas concretas, avalizadas por cientistas, promove a dilatação dos vasos e melhora o fluxo sanguíneo. Reduz os níveis de adrenalina e cortisol no sangue e aumenta a liberação de endorfinas, hormônios ligados às sensações de bem estar e prazer.
Então, por que estamos sorrindo menos? Por que estamos deixando de sorrir distraídos? Sorrir sem testemunhas, sorrir pra si mesma, como disse uma amiga?
Talvez porque sorrir possui um cardápio extenso de acompanhamentos, na verdade, sorrir é o acompanhamento principal de diversos pratos: amor, realização pessoal, bem estar, paz, tranquilidade, família, filhos, trabalho.
Talvez porque sorrir com o coração partido por uma decepção amorosa, um emprego perdido, um problema de saúde qualquer, exige um esforço que a gente pensa não ter. E aí, este sorriso soa falso, e se estamos cheios de tantas falsidades em nossa volta, gerar um sorriso fabricado, só para agradar quem está à sua frente, não vale o esforço. E aí, de nada adianta saber que sorrir movimenta menos músculos ou faz bem pra saúde, ele simplesmente não rola. Parece que se pensar, não dá para sorrir.
Cabe a nós se esforçar, e como disse essa amiga, voltar a sorrir distraídos, das coisas mais bobas, simples, para nós mesmos, sem estar pousando para o flash. O sorriso como hábito, como traço permanente desenhado em nosso rosto, natural, incorporado como forma de ser, de quem sabe que na vida tudo passa, até a uva passa, menos o seu sorriso, verdadeiro e para sempre. Ele volta, quando a gente menos espera, distraídos.
E quando você sorrir para a vida, sem medo dela, ela vai sorrir para você.
Por isso, smile, sempre.

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