CampiMinhaVidaHouve um tempo em que amarrar o cordão do meu sapato era o maior desafio de minha vida, cheguei a pensar que jamais conseguiria. A mesma sensação senti ao tentar, pela primeira vez, escrever o meu nome, depois, ao dirigir um carro.
Houve um tempo em que bastava minha irmã não querer brincar comigo para eu cair na mais profunda depressão, era uma rejeição mortal. Quase igual à de quando separei da minha primeira esposa, imaginava não conseguir sobreviver.
Houve um tempo em que eu tremia de intenso pavor ao ouvir papai me chamar pelo nome completo. A mesma reação passei a ter antes das provas de sociologia, ou mais tarde, quando minha terceira esposa telefonava dizendo que sua conta no banco estourou.
Hoje sinto que se tivesse confiado mais em mim e na verdade de que na vida tudo passa e se resolve, teria enfrentado e aproveitado melhor esses momentos. Como enfrento a morte neste leito de hospital, com a consciência de estar apenas usando meu bilhete de volta na viagem da vida.
Hoje percebo que se assim fosse, se em cada um desses momentos soubesse que não era preciso se preocupar, que tudo se resolveria, não teria tido a menor graça.

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