CampiCaminho 2Estava escuro, muito escuro, a vela que Ivo segurava mal dava para iluminar o caminho repleto de cacos de vidros, troncos, pedras, buracos, grandes, pequenos. Ele caminhava atento, vigilante, mas a dificuldade de enxergar com clareza e algumas distrações do percurso o fizeram tropeçar algumas vezes, se machucar.
Percebia em sua volta algumas pessoas passando, muitas cujas as velas emitiam uma luz menor que a sua, outras que nem velas tinham, por essa razão ouvia choros, gemidos em diversos pontos, esparsos, alguns contidos e também a pleno pulmões.
Com o passar do tempo, notou que sua vela alterava de intensidade de luz, hora mais forte, hora mais fraca, e percebeu que isso tinha a ver com o seu foco, com a sintonia com suas convicções espirituais. Por diversas vezes se viu abatido, cansado, sentindo que andava em círculos, e isso fazia com que a luz de sua vela diminuísse gradativamente. Quando lembrava das suas crenças e pedia ajuda, percebia que conseguia enxergar melhor o terreno e assim desviar dos acidentes da superfície que surgiam à sua frente. Mas nem sempre essa percepção era mantida, por isso a oscilação da sua capacidade de se manter na trilha de forma segura.
O caminho era cheio de surpresas, curvas, desvios, subidas íngremes, desgastantes, custosas, e declives dissimulados, perigosos, quando não apareciam verdadeiros precipícios. Em alguns momentos ele se mostrava plano, reto, mas tudo podia mudar de uma hora para outra, sem aviso, e daí a necessidade de estar vigilante, com alguma luz capaz de gerar um alerta e facilitar a caminhada que não tinha um fim previsto.
Ivo se mantinha no caminho agora com certa tranquilidade e os seus acertos e erros o fizeram perceber que quando se aproximava de alguém com nenhuma ou pouca intensidade de luz, o ambiente em volta se alterava, de alguma forma o auxílio que ele conseguia proporcionar, e da outra parte para ele, fazia com que o poder de suas velas aumentassem gerando mais luz.
Assim, ele começou a agregar companhia em sua volta, caminhantes que antes se postavam distantes, cuidando apenas de se virar sozinhos com suas velas e seus caminhos, passaram a se unir formando um grupo de luz. E a vela, que era pouca para mostrar os cacos e buracos e troncos do percurso de cada um, passou a ampliar a visibilidade da área em volta do grupo de forma intensa e clara.
Foram muitos anos, milhares, para essa consciência despertar e fazer com que os seres de luz se unissem em torno de um mesmo objetivo, compartilhando suas luzes em um círculo uno. Cada um tem o seu tempo de despertar, e como em um game, onde se cumpre a tarefa para estar apto a passar para fase seguinte, o processo segue com o grupo agora passando em conjunto para uma nova etapa, uma nova era.
Muitos já previram, profetizaram que esta seria a era da luz, que a consciência da necessidade de se unirem para gerar luz capaz de iluminar todo o caminho de forma completa e permanente está prestes a se concretizar.
Que cada um faça a sua parte neste novo ciclo do caminho.

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