CampiBobBob era uma borboleta linda, grande, toda preta, ágil, com uma aerodinâmica que permitia mudanças repentinas de direção, acelerada. Daí o seu apelido de Speed Bob. E essa sua velocidade toda o fazia buscar novas paisagens, aventuras, até mesmo amores. Numa dessas saídas por ares desconhecidos, Bob se viu certo dia em um lugar nunca antes visitado, repleto de flores, a maioria girassóis, lindos, grandes.
Sua curiosidade nata o fez rodar por todos os cantos daquele lugar novo, até que pousou em uma das flores para tomar fôlego, foi aí que viu Juliette, uma borboleta toda colorida, jovem, muito bonita. Com jeito ele puxou assunto.
– Oi, você vem sempre aqui?
– Eu nasci aqui.
– Legal, lindo lugar, e tendo você por base, com lindos habitantes.
Juliette, por um instante ficou mais rosada, e agora curiosa, nunca tinha visto uma borboleta preta, só ouvido falar. Quando ia responder alguma coisa, sua mãe pousou ao seu lado e foi falando de forma meio ríspida.
– Juliette, vai para casa, agora!
– Sim, mamãe… aconteceu alg… – não conseguiu responder, sua mãe a cortou se dirigindo a Bob.
– E você, mocinho, pode tomar seu rumo, negro!
– Desculpe, senhora, parei para descansar um pouco e encontrei sua filha e… – Bob tão pouco conseguiu terminar a frase, a mãe de Juliette foi áspera novamente.
– Não me interessa, mocinho – e foi logo fazendo com que Juliette alçasse voo.
– Nossa, mamãe, você foi grossa! Ele não fez nada, estava apenas parado.
– Pois eu já disse a você para não conversar com estranhos, ainda mais de cor!
– Desculpe, mãe, nós somos de cores, ele é apenas preto. Tudo bem, é daquela cor que vocês dizem ser de mensageiros da morte, mas pra mim é apenas uma cor, igual a nós, com asas, antenas, igualzinho. E ele foi muito simpático, gostei dele.
– Nem pense em dizer isso perto do seu pai, este assunto morre aqui, pelo amor de Deus!!!
– Engraçado, você fala em Deus e transborda preconceito! Eu, hein…
– Mais respeito, menina!!! Eu sou tua mãe!
Bob acompanhou as duas se afastarem sem conseguir ouvir o final da conversa, mas pelo jeito, a mãe era daquelas bravas e bem mal educada. Ainda ficou dando uma geral pelo lugar por um tempo até que pegou o rumo de casa.
No caminho, não tirou Juliette da cabeça, seu modo leve de voar, gracioso, onde morava era difícil ver alguém assim, com tantas cores, no máximo amarela, as vezes azul, mas assim, não. Interessante, agora se dava conta que quase todas eram pretas, seus pais, parentes, amigos. Nem bem pousou na praça principal, foi contar seu encontro numa roda de amigos.
– … e ela era linda, cheia de cores, várias, muitas mesmo.
– Hummm… já me disseram que essas espécies são menos evoluídas, têm problemas de aprendizado e não procriam bem… Melhor não se envolver com elas…
– Sério?? Não sabia. Pena… me pareceu tão simpática, doce…
Cientistas dizem que o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode desencadear um sequência de fenômenos meteorológicos que provocarão um tornado no Texas. É o chamado Efeito Borboleta, mais ou menos como acontece quando criamos preconceitos e reverberamos nossa ignorância, como um bater de asas, capaz de criar tragédias não muito longe da gente. Melhor ter cuidado com o que a gente propaga.

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