“Enquanto todo mundo espera a cura do mal, e a loucura finge que isso tudo é normal, eu finjo ter paciência”. Um pouco mais de paciência, e mais um pouco, e um pouco mais.
Quando as coisas não saíram como você queria, paciência.
Quando alguém não agiu como deveria, paciência.
Quando viu que o seu pedido não viria, paciência.
“A gente espera do mundo e o mundo espera de nós, um pouco mais de paciência”.
Enquanto isso, a vida não para.
E você dobra os joelhos, e você faz a posição de lótus, e você acende um incenso, e você clama aos céus por um pouco mais de paciência.
E chega uma hora que até pedir faz mal, porque parece ter virado um mantra, um abuso de lugar comum, e nem assim a vida para, nem espera pela paciência, você que corra atrás, com ou sem.
“E o mundo vai girando cada vez mais veloz”.
E a gente, embalado pelo Lenine, vai rodando no giro cada vez mais feroz, as vezes tonto, as vezes exausto, muitas vezes sem paciência, e a vida não para, não para não.
E em meio a essa guerra toda, você pede paz, ciência difícil de aprender e ter. O mundo não quer nem saber, gira cada vez mais veloz, cada vez mais feroz, cada vez mais atroz.
Me pego pensando se não foi sempre assim, se é só uma sensação que vem com o caos do vento contra ou se antigamente as coisas não tinham essa intensidade sufocante que faz a gente perder de que lado está a saída.
Lembro de contar algo terrivelmente injusto para o meu pai e ele responder com a sua calma desacelerada: “tudo bem”. Era o tudo bem da mais pura paciência que eu não conseguia tocar.
A paciência acomoda, mas não pode virar comodismo.
A paciência desacelera, mas não pode nos deixar estáticos.
A paciência conforta, mas não pode virar desculpa.
E o nosso grande exercício está exatamente nesse turbilhão, com o mundo girando cada vez mais veloz, com as coisas não saindo como a gente deseja, esperar o momento certo de agir, o momento certo de colher.
É um jogo, de paciência, as cartas chegam, passam, e o jogo não para, não para não.
Se você perguntar para uma árvore por que ela não te dá o fruto que você deseja comer naquele momento, ela pacientemente ira dizer que não é época. É a ciência da paz, que finda os conflitos internos, que estabiliza o nosso pulsar, que nos ensina a exercitar a paciência de esperar.
Em nosso giro cada vez mais veloz, o mundo dizendo o que a gente não quer ouvir, converse com o seu Eu e ele certamente irá sussurrar para se acalmar, para aguardar, para esperar em paz, porque o que é seu, é seu, e vai chegar.
Esta é a ciência da paz. Basta um pouco mais de pazciência.

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