CampiTrilhaQuatro. Um, dois, três, quatro. “Foi com muita sede ao pote, fique sem jogar uma rodada”. A vida é assim, um joguinho, que pode ser emocionante em um determinado momento, enfadonho em outro, alegre, e depois triste, depende sempre do número que cair no dado, as vezes com sorte, as vezes sem.
Um. Um.
Três. Um, dois, três. “A porta da esperança se abriu, avance duas casas”. Tem horas que a gente nem sabe como deu certo, outras, não dá para entender por que deu errado, estava tudo certo!!
Um. Um. Droga!!
Alberto não se conformou em andar só uma casa. Seu jogo parecia não sair do lugar, também, de um em um fica difícil! Já tinha passado na casa em que perdia os pais, depois ficou sem jogar várias rodadas, quando caiu na que perdia o emprego, mas o mais difícil foi ter parado na da separação, ficar longe dos filhos, ver a ex com outro na semana seguinte, quando nem sabia que tinha boi na linha.
O pior é que o jogo não para, e o que tem em cada casa na frente a gente só sabe quando para nela. Já cansou de pedir ajuda, acender velas, até despacho pro santo fez, em uma das paradas da trilha, mas ultimamente o dado parecia viciado, era um, dois, quando dava um número maior que parecia que ia andar mais rápido, caia numa casa ruim, quase sempre de perder a jogada seguinte.
Enquanto isso, via amigos só tirando cinco, seis, passando batido por ele. Verdade seja dita, no geral, o pessoal não parecia estar se dando bem, a maré estava esquisita, olhava em volta e o que via era muito stress, ansiedade, preocupação, felicidade mesmo, muito pouca. Vira e mexe ficava sabendo de alguém que tinha saído do jogo, uns porque tinham chegado no final, outros pareciam ter saído no meio do jogo mesmo, ou não, podia ser só impressão. Ninguém sabia o tamanho da trilha de cada um, nem mesmo qual era o prêmio no final dela, nem mesmo o que acontecia depois do fim. Se tinha uma outra etapa, um nível acima, ou se era “acabou tá acabado”, a brincadeira não seguia adiante. Tinha um monte de gente que acreditava piamente que o jogo continuava, em outro lugar, e tinha aqueles que diziam que não existe jogo depois do fim.
Talvez por não acreditar que existem outras trilhas, outras etapas, outros jogos, é que muitos davam uma roubadinha no dado, jogavam de um jeito que só caia número alto, sacanagem mesmo. Só entravam nas casas boas, disparavam na frente, dava até vontade de fazer o mesmo, mas alguma coisa dentro da gente acaba impedindo de agir assim, ou então, de pular fora do jogo por vontade própria. Não há nada que impeça, aparentemente, mas a grande maioria não consegue fazer. Pode até pensar.
Alberto continuava jogando o seu dado, procurando fazer a sua parte, andando passo a passo, mesmo achando que estava perdendo, e há muito tempo. Até que um dia pensou ter visto algo estranho, o dado tinha caído em um número, o três, e numa fração de segundo virou para o seis. Na hora ele vibrou, mas no momento seguinte ele se tocou, tinha uma coisa diferente. Parecia um dedo, mão, alguma coisa empurrou o dado para o seis, ele sentiu, viu ou sabe lá o quê.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis. Ao entrar na casa, a trilha mudou, o cenário todo se transformou, e ele ouviu, sentiu ou sabe lá o quê: – Parabéns, você ganhou!

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