Somos todos sua imagem e semelhança, e mesmo não sabendo o que isso realmente significa, dá para intuir que a mensagem deveria nos levar a pensar que pela fachada, pela embalagem, somos todos iguais, e próximos de quem nos criou, ou soprou, ou gerou. Se o olho é puxado, o cabelo mais liso, ou encaracolado, ou não existe, não deveria fazer diferença, afinal, é um olho, mesmo que preto, ou azul, ou verde, até castanho. E é cabelo, mesmo que loiro, preto ou branco.
Se você coloca um diamante em uma caixinha pequena, quadrada, azul, ou numa caixa alta, redonda, embrulhada em um papel vermelho, ou preto, o conteúdo do presente vai continuar sendo um diamante. E se for um caco de vidro embalado para presente, não importa o quanto você capriche no pacote, o conteúdo vai ser um mero caco de vidro, não vai mudar porque foi um João ou José que deu o laço.
Desde quando foi criado, ou soprado, ou surgiu por geração espontânea, o ser humano tenta se diferenciar um do outro e isso se acirra na medida em que eles interagem e são levados a disputar a posse de algo, de um diamante, ou mesmo um caco de vidro.
Quando viviam em cavernas, fazendo de suas mãos praticamente as únicas armas de sobrevivência em um ambiente predominantemente hostil, o conhecimento sobre a razão de existirem, para onde estavam indo, de onde vieram, era nenhum. E quando se defrontavam com seres que conseguiam se movimentar sobre dois pés, eretos como eles, com tocos de árvores como armas, não importava a cor de suas peles, que Deus adoravam, mas sim o que eles queriam tomar posse à força. Qual o perigo deles interromperem sua vida, mesmo que não soubessem a razão de existirem, para onde estavam indo, de onde vieram. Era preciso combater a própria morte, mesmo que sem saber o por quê, se preservar era seu principal instinto, lutar pela vida uma razão sem razão nenhuma.
Milhares de anos se passaram, com as mesmas mãos eles criaram ferramentas mais eficientes para garantir sua sobrevivência, sua inteligência se desenvolveu de forma incrível, apesar de ainda utilizarem uma parte muito pequena do potencial armazenado no HD cinzento da caixa craniana. Apesar de ainda não saberem a razão de existirem, para onde estão indo ou de onde vieram.
E ao descobrirem, milhares, milhões de seres também capazes de se manterem eretos, sobre dois pés, criaram uma forma das diferenças de embalagem de cada um ser usada como fator de superioridade, mesmo que dentro de uma mesma raça, a humana. Assim, cada um em seu gueto, agrupa as caixas de mesmo formato, mesma cor, acreditando que dessa forma conseguem se sobrepor e valorizar o caco de vidro ou diamante que está lá embalado.
Tanto tempo depois, tanta inteligência desenvolvida, tantas perguntas ainda a serem respondidas, e estamos presos a essa visão de superfície. Basta afastar o ego, retirar a pele, olhar com o raio X da alma para perceber uma verdade tão sólida quanto os ossos que nos mantém eretos, sobre dois pés.
É tempo de olhar além dos olhos, nada faz diferença, tudo nos faz humanos, um só ser, uma só raça. Se branco, preto, rico, pobre, judeu, muçulmano, católico, evangélico, no fundo somos todos iguais.
Preconceito é pré-história.

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