O mundo gira, a Lusitana roda. Nossas vidas experimentam mudanças a cada dia, a cada momento, basta estar vivo e seguindo, rodando. Nessa viagem, muitas vezes sem rumo, sem gps, as opções de caminhos nos são apresentadas na curva seguinte e parece que as nossas escolhas são apenas pró-forma, a trilha nos surpreende, mesmo que tenhamos decidido não mais cruzar com alguém que nos magoou, ou voltar passar onde já nos demos mal.
O mundo dá voltas, uma hora era assim, na outra é assado. Uma hora por cima, outra por baixo, não apenas como uma opção na cama. E isso é que faz dessa nossa viagem algo especial, incerto, emocionante, instigante, nada monótono. As vezes cansativa, chata, desgastante, mas tudo pode mudar na próxima curva, porque o mundo gira, o mundo dá voltas.
O segredo está exatamente em perceber esses altos e baixos, essas viradas, esses giros, para não perder o estímulo de continuar seguindo, não importa a que custo.
Quando olhei para o grupo de pessoas reunidas, um filme passou pela minha cabeça lembrando o papel de cada um nesse romance, drama, comédia. A primeira reação foi de surpresa, de ver todos juntos, em um mesmo capítulo da novela, não esperava que o roteirista fosse ser capaz de criar uma cena dessa, principalmente depois de tudo. Ali estavam personagens que me fizeram muito feliz, me fizeram chorar, sentir raiva, vibrar e amar, muito. E o tempo passa, o mundo gira, a Lusitana roda, e muitos desses sentimentos se modificaram, se transformaram, intensificaram ou simplesmente desapareceram. E aí você se dá conta que as coisas mudam mesmo, mudam para o que tem que ser, não dependem da nossa luta para impor o caminho, ele se faz, porque ele sabe, a gente não.
E nesse momento de reflexão, senti a paz que algumas vezes não parece existir, aquela paz de perceber a mão do destino, com quem não dá para brigar, ralhar, apenas aceitar como sendo o melhor para você. Mais uma vez porque ele sabe, você não.
Olhei para o rosto de cada um, os registros permaneciam intactos, mas a importância dessas marcas eram diferentes. Elas não desaparecem, até porque, não deixam de ser, mas se transformam porque o ser pode, ou não, valer neste novo momento, neste novo ponto do giro. Gira mundo. E se tem coisa que não mais importa, têm coisas que fazem falta, têm personagens que saíram de cena, que pularam o muro, saíram pela porta do fundo, ou se despediram deixando nosso coração partido querendo mais. E se tem o que nos faz falta, têm novos personagens que entram, mudando a história, enriquecendo a trama e a nossa vida.
Quando todos se foram, levando nossa memória para um novo giro, o que ficou foi a sensação do vazio que aquele grupo de personagens preenche e que a gente se dá conta quando revê.
O clima muda, o humor muda, os sentimentos mudam. As mudanças fazem mesmo parte da nossa vida, quer a gente queira, ou não. Administrar essa imposição do roteirista é que nos faz transitar no romance, drama, comédia, terror, sem que a gente tenha o controle, mesmo que remoto, de em qual trama preferimos atuar.
Portanto, esteja sempre pronto para o papel que a vida oferecer, a oportunidade de estar no palco já vale o ingresso. E aproveite os giros para se recriar, se alimentando da própria história e permanecer em movimento. E fique pronto para as mudanças, elas vão acontecer, afinal, o mundo não vai parar de girar, mesmo que a Lusitana um dia pare de rodar.

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