5 Filho da Mae blogO título deste texto soa como um xingamento, apesar de conter duas palavras que se completam, um é razão de existir do outro. Na verdade, o sentido da frase estaria mais para um filho da puta, que também não deveria ser visto mais dessa forma agressiva. Afinal, vender o corpo é apenas uma forma de estabelecer uma moeda de troca, existem outras, muitas outras. E frente a tudo que estamos vendo hoje em dia, não é por acaso que sinalizamos esse momento da humanidade como final dos tempos, só pode ser. Hoje tudo está à venda, a casa, a honra, a filha, a dignidade, a informação privilegiada, até a mãe, que as vezes nem entregam.
Filho da puta, como poderia ser filho do senador, do deputado, do publicitário, do advogado, de alguém necessariamente ele vai ter que ser filho. E comemorou em maio o dia da genitora com toda a alegria e demonstração pública de amor, como bem mostrou a avalanche de postagens sobre o tema nas redes sociais.
A puta já foi alguém marginal, hoje não deveria mais ser, não mais, existem outros tipos de marginais mais degradantes na escala dessa sociedade sabidamente hipócrita. A puta apenas vende o corpo que, na verdade, é dela, só dela, e para ser preciso, ela nem vende, apenas empresta ou aluga, portanto, por que tanta discriminação, tantos dedos apontados? Mulher de vida fácil? Longe disso.
Hoje em dia, somos todos putos, todos vendemos, alugamos algo em troca da moeda que irá nos fazer participar da sociedade anônima que batalha para ser identificada, pelo carro, celular, cargo, grife ou uma mísera caneta.
A diferença é que alguns estabelecem essa troca por algo próprio, que não infringe a dignidade estabelecida e reconhecida em cartório, mesmo os de protesto. Que recebem por algo que pertence a si, como a mente, os braços, a inteligência, o corpo, a expertise, e se sentem na escala de valores dessa pobre sociedade acima daqueles que, como disse o Barão de Itararé, se vendem e recebem mais do que valem. Nesse outro grupo, estão aqueles que são agraciados materialmente por trocarem algo que não possuem o direito de posse e o fazem através de golpes, da mentira, dos subterfúgios, das manobras ilícitas, e não merecem ser equiparados às dignas senhoras putas.
Essas pessoas vendem uma fachada, constroem uma aparência e muitas não são identificadas pela sua essência nem em toda sua existência, apenas pelo seu RG ou pelo retrato falado, não o real. Muitas vezes, nem dinheiro recebem em troca, apenas vendem a imagem pelo prestígio, pela pretensão de se mostrarem do bem, quando na verdade não são, sofrem de um mal talvez pior do que todos, de caráter. Filho da puta? Não, elas não merecem mais serem referência para esses seres. Canalhas, safados, falsos, hipócritas, pode ser, mas não filhos da puta, elas estão acima deles. Elas são mães, possuem o amor de mães, estão na lida, na luta, como qualquer um, também de forma íntegra, dedicada, honesta, como apenas alguns.
Neste momento do ano, de reverenciar a importância da presença materna, de agradecer a interferência, o exemplo, o apoio, vale o lembrete para repararmos essa injustiça recheada de preconceito e hipocrisia, mesmo que de forma consciente continuemos a usarmos a expressão como uma falha linguística, como ainda chamamos as lâminas de barbear de Gillette.
O mês de maio é delas também e de toda essa engenhosa e envolvente ação de marketing que estabelece datas para escoarem os estoques de bens, que mal não tem.

Anúncios