Já faz um tempo, foi o primeiro lugar que eles pisaram e isso não se esquece, mesmo que passe um, vinte, cem, mil anos. Mesmo que por um desvio de rota, meio que sem querer, e como acreditamos que nada é por acaso, esse início também certamente não.
Os primeiros marujos, comandantes, piratas, jesuítas experimentaram algumas sensações únicas, daquelas arrebatadoras. Primeiro a sensação de chegar ao paraíso, a gente não sabe como é, mas imagina que seja no mínimo igual, e longe de ser uma estação de metrô.
E tudo que a gente sabe, conhece, já viveu, passa a servir como referência para avaliar, comparar, dar valor. Desde o ar que tem um sabor, um cheiro, um respirar diferente, da composição à velocidade de colocá-lo para dentro do organismo e processar aquele mecanismo difícil de entender, mas que é o primeiro dos mistérios que nos mantém vivos. Muitas vezes, a gente não encontra razão para continuarmos respirando, nem para seguirmos vivos e fazermos o que temos feito, e respirado, e engolido.
Aí, passamos a prestar atenção nos detalhes e nos percebemos dando importância para aquela luz que vem do alto, provavelmente de outro plano, que nos ilumina desde quando abrimos os olhos pela primeira vez. E a gente percebe uma outra cor, um outro calor, a ponto de irmos em grupo apreciar o espetáculo diário e gratuito do seu recolhimento. E ficamos maravilhados, entendendo ser um sinal de que o Homem lá em cima definitivamente existe e criou esse show para ser assistido, reverenciado, e não apenas para servir de passagem para a escuridão que nos engole junto com todos os nossos medos ao final do dia, em meio ao congestionamento.
É quando mergulhamos na onda, desviamos do impacto e entendemos que o ficar por baixo é uma opção transitória para superar o que vem pela frente e voltar por cima.
É quando sentimos a essência e não a maquiagem. É quando a pressa deixa de ter velocidade, vai diminuindo na ansiedade e acaba por estacionar na paz.
A paz mora aqui, talvez por isso os primeiros chegaram aqui, talvez por isso os que chegam não querem sair, certamente por isso dizem que o Cara é daqui.
Aí, a gente começa a entender porque andar na contramão é aceitável, andar fora do ritmo não é motivo para discussão, e que sorrir é o melhor cumprimento. Aquele sorriso que é feito com a alma, sem cor, sem credo, sem sotaque, porque é universal e deveria estar em qualquer canto de boca do planeta.
E quando a cor da pele ganha os tons do chocolate, que vem do fruto da terra, que adoça a boca e o olhar, a gente se posta debaixo daquela luz, que é de outra cor, outro calor, pedindo para se igualar no tom, no ritmo, no sorriso, na alma.
E quando aprendemos que tudo pode ficar assim deixamos de ter a desculpa dos ignorantes ou as atenuantes do desconhecimento das leis da vida. O saber não vale nada se não for praticado, e aqui você encontra todos os estímulos de colocar em prática o que aprende nos cursos, na vida, nos textos assinados e anônimos que ecoam pela web.
E passa a pregar a calma, afinal, o sábio não se aborrece.
E passa a sorrir, afinal, sorria, você está na Bahia.

Anúncios