Tem gente que não precisa fechar os olhos para sonhar. Escolhe um ponto distante, pouco para lá do nada, em alguns segundos imagina a cena, os personagens, o roteiro, e suavemente sai fora do ar, para se conectar à sua agenda de projetos, salto que, com os pés no chão, seu corpo não teria condições de alçar.
Sonhar acordado é tão bom quanto sonhar dormindo, com a vantagem que você, conscientemente, escolhe o destino, compra o bilhete e embarca na plataforma certa para pegar o expresso da esperança. E uma vez acomodado nele, sua liberdade é ilimitada, seus compromisso cessam, seu racional faz log out, sem ninguém para chamar sua atenção como repreensão para voltar à realidade.
Mesmo sem ter a capacidade de desenhar uma casinha com solzinho, você incorpora a mão de um Leonardo, e traça cenas tão perfeitas quanto a da Santa Ceia, em códigos só seus. As vezes você convida alguém para embarcar, muitas vezes, os convidados saltam fora quando acham que o destino está muito longe, fora de mão, e a mente exige que eles se desviem do traçado. Tudo bem, por mais que você tente compartilhar essa viagem, acreditando que ela vá empolgar todos à sua volta, a programação, rota, são suas, você sabe que não é um devaneio inconsequente, e se for, e daí? Sonho póóde!!
Claro que tem hora que a gente acorda, corre atrás do dia a dia, mas sempre com um olho no pão e o outro na viagem, que continua, subindo, descendo, subindo, subindo, até que, quando você já começava a pensar como a pessoa que estava ao seu lado e caiu fora, o sonho concretiza. E você se dá conta que o tempo sabe mesmo mais que a gente, sabe a melhor hora, que será a certa, não importa quanto demore.
Experimentar esse prazer, de chegar lá, tem o sabor de um prato único, aquele que você não só vem preparando há tempos, mas produziu todos os ingredientes e temperos. Um prato feito por você e para você, que ninguém no mundo faria. E a gente se dá conta que vencer não é apenas ganhar, é mais, pode ser até perdendo, porque vencer não é cruzar a linha em primeiro, é cruzar a linha. É nunca desistir, jamais.
E quando você acorda daquilo que começou como devaneio e que sofreu um control C, control V, e agora está colado na vida real, com uma pá de colaboradores silenciosos curtindo e compartilhando, descobre a essência da vida, o amor.
Sonhar é amar, embarcar de carona no sonho de quem a gente gosta é amar, dar a sua contribuição e agora se ajeitar naquele vagão que já deixou a cidade dos sonhos e entrou no estado da felicidade, com todos reunidos comemorando, é a pura celebração do amor.
Sonhar pode começar solitário, mas a felicidade necessariamente tem que ser coletiva, a vida só faz sentido se compartilhada. A gente compartilha amor, dores, sofrimento, vitórias, perdas, projetos, sonhos. E aprende que, por mais que estes sonhos pareçam inatingíveis, difíceis, impossíveis, pareçam apenas sonhos, não pode desistir jamais de buscá-los. A gente tem que tentar, sempre, um dia, ele acontece, e isso é viver.
Eu sonhei acordado, dormindo, sozinho, acompanhado, e estou acordando cercado de pessoas que acreditaram e agora vibram, comemoram comigo. Obrigado. Parece sonho.

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