Cada cultura tem seus próprios códigos de conduta, e o que é aceitável em uma, pode não ser em outra, daí se propagam os tabus. No início para designar proibições de caráter sagrado, o termo tabu passou a valer para todo tipo de atitude inconveniente aos olhos da sociedade.
Nesse nosso grão globalizado em que vivemos, muitas barreiras foram rompidas, os limites caem a cada dia, experiências de uns viram desafios de outros, e assim os tabus são derrubados como reflexo da evolução humana. E se eles existem na alimentação, na fé ou na política, no sexo eles possuem um campo fértil de superação.
A virgindade, por exemplo, já foi um grande tabu. No século passado, aquela membrana de 3 milímetros de espessura determinava se a mulher solteira tinha ou não dignidade, de acordo com a presença do lacre.
Quando os tabus envolvendo o amor e o sexo são desafiados, alguns dizem que os alicerces da sociedade são abalados, entram em risco. Daquela mulher que devia se entregar imaculada ao marido, que virava um troféu, a ponto do lençol manchado de sangue ser estendido na sacada da casa, aos dias de hoje, muita água rolou sob a ponte, e muita poeira sob o tapete.
Carla era um exemplo dessa nova espécime, “destruidoras de tabus”. Enquanto a norma é buscar a excelência, faculdade, pós, MBA, ela foi só até o colegial e daí à luta. Saiu de casa cedo, primeira transa aos 14, empresária aos 18, mãe solteira ao 22.
Aos 30 se apaixonou perdidamente e foi ela quem pediu a mão dele, se casaram e viveram felizes por 18 anos. Até que a nossa desbravadora de tabus sucumbiu diante de um que para ela era intransponível, o da língua. Não, não aquele órgão que é usado, entre outras coisas, para lamber, com esse ela não tinha problema nenhum, pelo contrário, sabia usá-lo com maestria, muita criatividade. O problema era com um tipo de tabu, o linguístico. Algumas palavras ela contornava, usava apelidos, mas não encarava o oficial, de jeito maneira!
E foi nessa que o caldo entornou.
Estava deitada na cama com o marido e em um determinado momento, disse que estava com vontade de dar uma transadinha, mas do jeito dela.
– Meu amor, vamos afogar o ganso???
– O quê??? Onde???
– Uai, na minha periquita!
– Carla, que periquita??!! Nunca vi você falar assim! Como é?
– Periquita, perereca, caranguejeira…
– Mas isso é um zôo!! Kkkkkkkkkkkkkk…
O marido começou a rir de forma descontrolada, o que fez Carla entrar em surto e destampar a relacionar todos os nomes que ela conhecia, menos o oficial, o que levou o marido a entrar em estado preocupante de ataque de riso.
– … aranha, buça, chibiu, chincha, chota, lacraia, mantegueira, nica, perseguida, pombinha, quirica, xana, xereca, precheca, lasca, crica…
Carla ficou viúva aos 48 anos, o marido morreu de rir de um tabu.
Certos tabus são mesmo difíceis de quebrar, alguns são de rir, outros de matar!

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