Já li que a saga dos vampiros é coisa muito antiga, época de Cristo, dizem que Judas de Kariot, mais conhecido como Iscariotes, foi a primeira alma a ser condenada a vagar sem perdão e se alimentar de sangue humano. Particularmente não acredito nessas maldições divinas, até porque fazia parte do roteiro Jesus ser traído para que o resto se consumasse, e ele se prestou ao papel, o que faz da sua atitude um ato meritório, longe de ser condenável.
Mas, daí para a Pensilvânia e Hollywood foi um pulo, até dominarem este nosso mundinho, o grão de areia.
Hoje, eles estão em todo canto, nas empresas, nas famílias, infiltrados em cada oportunidade de sugar o que der e descartar quando satisfeitos.
Não importa quanto sangue você dê para ser eficiente naquilo que faz, ou para prover o sustento dentro da sua casa, eles querem mais, e mais.
Saiu as onze da noite do seus posto? Da próxima vez fique até as duas da madruga, virar a noite não é má ideia. Vestiu a camisa do cliente e reduziu o seu ganho para viabilizar o negócio? Pode dar mais porque tem uma fila querendo fazer por menos.
Uma amiga já disse que a jugular interessa mais do que um aperto de mão, e vale manter qualquer aparência por uma dentada bem dada, não importa que a fachada desmorone após o desfecho, o foco está no objetivo alcançado e que depois, não importa que seja uma alma a mais a vagar desnorteada.
Há quem diga que isso sempre existiu, nem novidade é, mas parece que antes a gente era convidado a doar nosso sangue, com os devidos reconhecimentos dessa entrega e promessas de retornos futuros. A relação era mais amigável,  os caninos não tão afiados e à mostra, havia bom senso e educação, e não tantos ataques sorrateiros que não respeitam a necessidade de sobrevivência de cada um, para benefício de todos.
Com o tempo, os vampiros ganharam maior imunidade, capacidade de atacar à luz do dia, inclusive com o amparo da lei, organizados em quadrilhas, que sugam o sangue, a energia e a vontade de continuarmos fazendo parte dessa selva.
Ganharam status de celebridades, exaltados em livros, telas e comunidades, como se a única saída fosse se converter em um para merecer o prêmio da vida eterna.
Antes personagens de ficção, hoje modelo de eficiência na conquista das metas, os vampiros estão por aí transformando os seres em espectros, o ter em virtude, adicionando cada vez mais amigos na sua lista de seguidores.
Nesse caos do cada um por si em que vivemos, os vampiros levam a vantagem de atacarem em grupo e apostam no nosso medo de achar que não existe outra alternativa, a não ser ceder o pescoço.
É só isso que nos resta?

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