Assim como no amor, a vida tem razões que a própria razão desconhece. Nossa visão limitada avalia os fatos partindo de premissas as vezes furadas, mal fundamentadas, distorcidas pela prioridade de nos poupar acima de tudo.
É como jogar paciência, nossa primeira postura é achar que está ruim ou bom mesmo sem saber quais cartas ainda vão chegar e em que sequência elas virão.
Aquela carta péssima da segunda mão pode estar preparando o encaixe perfeito para a que vai vir na quarta ou sétima mão, e assim fazer com que o jogo dê certo na última. Mas a nossa “sabedoria” insiste em analisar de pronto, sem todas as informações, sem esperar o tempo certo para que o jogo da vida estabeleça suas razões, que a nossa razão ainda desconhece.
A gente faz isso com o nosso jogo, e pior, com o jogo dos outros onde temos muito menos informações para palpitar ou entender em que mão ele pode estar.
Dizem que o tempo é o senhor de tudo, ele faz a poeira baixar, a ferida
cicatrizar, a semente germinar, a fruta amadurecer, e por mais que a nossa
ansiedade peça que ele acelere, por mais que as nossas velas acesas supliquem a solução, ele tem o poder e sabe a hora certa. E aí, entramos no exercício mais difícil do que abdominal em cintura GG, dar tempo ao tempo e aguardar. Pode ser rápido, pode ser demorado, como pode nunca vir, mesmo assim, seja como for, o exercício é esperar. Nesse momento, entra o movimento adicional ao exercício: avaliar o quanto é entregar e confiar, o quanto é passividade de acomodação.
O jogo da vida joga com a gente, joga com o nosso ego, joga com a nossa ignorância, joga com a nossa soberba. Enquanto o jogo rola, o tempo enrola, a gente se esfola, pensando que é dono da bola, pulando como mola, olhando pro lado pedindo cola. O duro é que ninguém sabe tanto para poder dar todas as respostas.
Por isso, jogue o jogo mesmo sem saber direito as regras, no seu tempo, sem se concentrar nas avaliações dos outros jogadores, que como você, estão também jogando sem saber que carta está para vir. Eles podem ter tido uma mão boa, estão momentaneamente bem e nem por isso sabem mais ou garantem a vitória no final. Tudo muda, o jogo vira e, talvez, ganhar não seja o prêmio. Jogar é o que importa.
A carta certa chega para todo mundo, aquela que você esperou por muito
tempo, que é o senhor de tudo. Aí está a graça desse jogo da vida.

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